Jean Willys, minha solidariedade
Queridos, Jean Willys Divulgação Por medo de ser a próxima vítima do “modus operandi” do crime organizado, que tem encontrado cada vez mais na política brasileira representantes que justificam sua existência no “cândido” modelo de milícias solidárias ao Estado no “controle a barbárie e ao avanço da criminalidade”, Jean Willys renunciará a um mandato de […]

Queridos,

Jean Willys
Divulgação
Por medo de ser a próxima vítima do “modus operandi” do crime organizado, que tem encontrado cada vez mais na política brasileira representantes que justificam sua existência no “cândido” modelo de milícias solidárias ao Estado no “controle a barbárie e ao avanço da criminalidade”, Jean Willys renunciará a um mandato de deputado federal, consagrado pelo voto popular, para se exilar e desta forma garantir sua integridade física e a própria vida.
Jean, para alguns “histriônico”, “insolente”, “desequilibrado”, “promíscuo” ou “afetado demais”, sempre recebeu ameaças de morte por sua atuação voraz como deputado em defesa da população LGBTT+ e dos direitos humanos como um todo.
Foi praticamente levado ao cárcere privado de uma vida plural e de vivência social plena após a execução da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes e posteriormente pela eleição do clã que o usou como “factoide” principal para galgar manchetes em programas de apelo popular de emissoras rasteiras no IBOPE e redes sociais.
Sim, é isso mesmo que você leu. Jean Willys, foi usado como isca para episódios que visassem a divulgação deturpada de todo um segmento de nossa população por um “candidato” que visava no confronto ideológico “massacrar” minorias atribuindo a elas as mazelas vividas por nossa sociedade.
Ele cuspiu, sim. Faltou com o respeito, até pode ser, mas fez por nossa sociedade muito mais que qualquer político oriundo das dinastias imperiais, que arrotam heterossexualidade, esfregando na cara dos eleitores companhias nada republicanas abrigadas em seus gabinetes. Estimulou o debate em todas as áreas setoriais que se dedicou ao longo dos oito anos de mandato parlamentar.
Foi primeiro assassinado politicamente. Dizimado pelas “fake news” viu seu patrimônio eleitoral chegar quase a bancarrota, manteve, este importante mandato por meio da eleição por média, em virtude do bom resultado de seu partido o PSOL na urnas do Estado do Rio de Janeiro. Agora, teme o assassinato de fato, que o transformaria em um número, mais uma vítima desta cruel realidade que faz que o Brasil seja hoje considerado o país que mais mata LGBTs no mundo: 1 a cada 19 horas.
Confesso, que não concordo com a forma de enfrentamento utilizada por Jean Willys em sua trajetória política, mas compreendo-o. Tive apenas alguns encontros com ele no decorrer de minha caminhada artística e política. Não é meu amigo, apenas um conhecido distante, que em ao menos em duas ocasiões esteve comigo na defesa do bem comum, na derrubada da proibição de homossexuais masculinos doarem sangue e na retirada da responsabilidade dos doadores de alimentos após a doação a instituições sociais e poder público.
Essa distância, não ameniza minha dor, em ver um legítimo representante do povo, abrir mão de um mandato parlamentar para garantir seu bem mais precioso, a vida.
Não é um grande dia, como o representante máximo do país acredita ser, e ser feliz, é ser inteiro, algo que a violência, apoiada pelos que deveriam pregar a tolerância e a paz, não permitiram para este democrata.
Grandes coisas virão, tenho certeza!
Em tudo há um propósito.
#NãoVamosDesistirdoBrasil, Jean.
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