Jimmy Baxter, cidadão do mundo
Destaque do São José no NBB7, ala norte-americano já jogou em 16 ligas


De garrafas jogadas pela torcida grega a jantar com o rei da Jordânia; Jimmy Baxter já viu de tudo no basquete
João Pedro Teles/Meon
Jogando pelo São José, o ala norte-americano Jimmy Devon Baxter tem 137 pontos, 301 minutos em quadra e 30 assistências pelo NBB7. Entretanto, é fora de quadra que se encontram os números mais impressionantes: desde o início da carreira, o Brasil é a 16ª liga diferente na qual o jogador de 34 anos atua.
O desejo de conhecer o mundo por meio do esporte começou já na adolescência, quando além de jogar basquete, Baxter também praticava atletismo. Entretanto, a primeira experiência fora dos Estados Unidos aconteceu só aos 24 anos de idade. O ala foi morar em Portugal, onde defendeu o time do Oliveiras por um período de três meses.
As quadras lusitanas foram o início de uma maratona de volta ao mundo que inclui também Grécia, Letônia, Bélgica, Irã, França, Itália, Turquia, Israel, Eslovênia, Alemanha, Venezuela, República Dominicana e, finalmente, a Argentina.
Nesses dez anos de viagens, Baxter define suas experiências profissionais entre “as boas, as más e as péssimas”. As piores, de acordo com ele, estão sempre ligadas à falta de profissionalismo. “O maior problema sempre foi jogar e não receber, o que aconteceu bastante comigo na Europa”, afirma.
Histórias não faltam para o norte-americano que ainda não se familiarizou com o nosso português. Dentro de quadra, Baxter afirma que passou os momentos mais malucos de sua carreira na Grécia, onde defendeu o Ilisiakos por duas temporadas e teve que desviar das garrafas de água arremessadas pela torcida.
“Os gregos são fanáticos e não têm a menor cerimônia na torcida. Você pode ser o melhor jogador do mundo, mas se não se esforçar vai ouvir xingamentos e até receber umas garrafas de água de vez em quando. O mesmo vale para o juiz e para os técnicos Se fazem besteira, levam garrafada. É uma experiência completamente maluca”, afirma.
Oriente Médio
Apesar dos entraves diplomáticos entre Estados Unidos e Irã, Baxter teve uma passagem tranquila pelo basquete iraniano. Jogando pela liga do país árabe, o norte-americano contou com o suporte tanto de torcedores quanto dos dirigentes.
Jimmy Baxter ainda é naturalizado jordaniano. O atleta atua pelo país do Oriente Médio desde 2013, quando foi convidado pelo mesmo técnico que havia o dirigido na Grécia. A experiência envolveu ainda um jantar com o rei da Jordânia, Abdullah 2º, com quem definiu os termos do contrato.
São José
Em sua segunda experiência em uma equipe brasileira –em 2013 Baxter disputou três jogos da Liga das Américas pelo Brasília- o norte-americano está encantado com a torcida joseense. De acordo com ele o que mais surpreende é a fidelidade dos fãs do time.
“A gente estando na frente ou atrás do placar, eles não desistem nunca e continuam nos empurrando até o fim da partida. Não tem como dar menos do que 100% dentro de quadra”, afirma o jogador que garante que, nas ruas, a torcida também surpreende. “Todo mundo me pergunta se estou bem, se preciso de algo, é muito motivador”, completa.
Aposentadoria
Mesmo considerando que ainda tem muito para dar ao basquete, o ala já planeja o final da carreira. E a ideia, depois de rodar o mundo como atleta, é de encerrar sua trajetória no Brasil. “Gostaria que fosse em São José, porque eu estou muito feliz aqui”, diz.
Após a aposentadoria, o jogador não deverá ficar longe dos esportes. O atleta mantém, na Flórida, um projeto social no qual oferece aulas de atletismo para jovens entre os 5 e os 18 anos.
“Esta é a maior paixão da minha vida. Sou um cara que começou do nada e que precisou muito do apoio das outras pessoas para conseguir crescer. No projeto contamos com quatro técnicos jamaicanos e estamos formando atletas de alto nível”, explica antes de anunciar que, no final do ano, vai promover um evento de basquete 3×3, também na Flórida, com objetivo de arrecadar fundos para a caridade.
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