José Padilha documenta manifestações sociais
Mesmo em meio à agenda agitada de entrevistas e compromissos em razão do lançamento de Robocop no Brasil, José Padilha encontrou tempo para desenvolver um novo projeto: a documentação dos atuais movimentos sociais e protestos no Brasil. “Passei um ano longe para fazer o Robocop. Perdi contato direto com a movimentação social pela qual o País…


Manifestações em São Paulo em 7 de setembro de 2013
Warley Leite
Mesmo em meio à agenda agitada de entrevistas e compromissos em razão do lançamento de Robocop no Brasil, José Padilha encontrou tempo para desenvolver um novo projeto: a documentação dos atuais movimentos sociais e protestos no Brasil. “Passei um ano longe para fazer o Robocop. Perdi contato direto com a movimentação social pela qual o País tem passado”, contou ele, que se mudou para o Canadá e passou mais um período entre idas e vindas aos EUA.
Para recuperar a falta de informação, decidiu documentar as manifestações e entrevistar pessoas ligadas a diversos movimentos. “Começamos a filmar há pouco. Resolvi documentar isso depois do episódio da morte do Santiago, por conta da confusão com o Marcelo Freixo, meu amigo. Vi como esta questão estava sendo tratada de forma muito superficial e questionável do ponto de vista jornalístico”, conta.
Para acompanhá-lo na empreitada, Padilha convidou dois amigos, Walter Carvalho e Felipe Lacerda, para filmar junto. “Eles gostaram da ideia e partimos para as filmagens. Tem sido uma imersão nas questões do Brasil, entrevistando muita gente sobre as manifestações, o que me deu uma ideia boa de como vai tudo. Vi que black blocs não existem. É uma ficção”, diz. “Aqui, um pedaço deles são torcidas organizadas. Mas não existe uma ideologia como em outros países. Aliás, black bloc é uma tática, de desviar a atenção da polícia na manifestação. Aqui isso tem outra conotação. Qualquer violência por parte de quem está em uma passeada, ou tapar o rosto, já é chamada de black bloc”, diz ele, que não pretende necessariamente transformar o material em filme.
“Por ora, estou documentando. A mídia tradicional não entendeu direito como funciona a mídia interativa. E fica tentando explicar o fenômeno a partir de categorias que não existem mais.”
Em meio ao contexto atual, Padilha analisa a forma como a questão da polícia têm sido tratada no País. “Ainda não temos tecnologia para usar drones. O que temos é gente sendo treinada. Neste contexto, a UPP, por exemplo, está fazendo água. É essencialmente um projeto fadado ao fracasso porque não ataca o problema real. Não contempla a modificação e a reestruturação da polícia. O Tropa 1 e o 2 falam de como a estrutura corporativa da polícia tende a produzir policiais corruptos ou extremamente violentos. Isso não foi mexido nem um centímetro. Sem mudança, não haverá avanço.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mulher foge de bombas em protesto contra governador Sérgio Cabral, no Rio
Warley Leite
Posts Relacionados

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai

Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
