Judoca de São José sofre racismo durante a disputa dos Jogos Abertos em São Sebastião

Atleta informa ter sido chamada de “negrinha e macaca”. Ela registrou boletim de ocorrência contra o agressor

Escrito por: Felipe Viana3 min de leitura
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A atleta e professora de judô Talita Libório, de 30 anos, denunciou no último domingo (9) ter sofrido racismo enquanto competia nos Jogos Abertos do Interior, que estão acontecendo em São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo.

Talita, que faz parte da delegação joseense e representa a cidade desde os seus 16 anos, disse que o caso aconteceu após uma vitória dela após uma luta no sábado pela manhã e após as agressões, a lutadora registrou um boletim de ocorrência contra o acusado.

“Está difícil falar, porque toda hora me pego lembrando da cena, do olhar de ódio dele pra mim, apontando o dedo na minha direção e falando, em alto e bom tom: “essa negrinha só ganha roubando”. Vi com clareza que ele estava se referindo a mim” disse a judoca.

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Libório disse que quando ouviu os xingamentos, virou para a arquibancada e viu a pessoa que o estava atacando. “Ele ainda me chamou de macaca” complementou a judoca. “Como que isso pode acontecer em um esporte que prega respeito, educação e disciplina?” questionou ela.

Talita ainda disse que, com a ajuda de outras pessoas, identificou o agressor como um treinador da cidade de Sorocaba. Ao sair do local de competição, ela foi à delegacia da cidade e registrou o boletim de ocorrência por injuria racial, também informando os organizadores e responsáveis dos jogos.

“No dia seguinte pedi para que fosse tomada alguma providência por parte dos jogos, para que ele fosse punido ou expulso da competição, mas nada aconteceu.” complementou.

Após isso, Talita protestou e parou a realização dos jogos, atrasando o início das competições no domingo. Segundo ela, o protesto só foi encerrado após ameaça de desclassificação da cidade. “Em forma de protesto eu e todos que me apoiavam paramos os jogos e atrasamos o início das competições em duas horas. Só paramos quando os organizadores ameaçaram de desclassificar São José dos Campos e de chamar a polícia para me tirar dali” informou ela.

Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

Talita ainda informou que, após o caso não recebeu apoio da organização da competição e também foi processada pelo seu agressor por calúnia e difamação. “Agora tenho que provar que sou a vítima, enquanto meu agressor segue impune” disse a judoca.

“Saio da competição como campeã com a equipe e no absoluto e foi pra isso que vim a competição. Além disso, pude mostrar que o judô vai muito além do que ganhar ou perder, é uma filosofia de vida”. Disse a atleta.

Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

“Apesar dos pesares, estou recebendo muito carinho e cuidado e quero agradecer de coração a todos que ficaram comigo e me apoiaram durante este dia” complementou.

OUTROS LADOS

Em nota oficial, a Secretaria de Esportes de Sorocaba lamentou a ocorrência e disse que vai apurar a situação, buscando esclarecer tudo e solucionar o caso. Já a chefia dos Jogos Abertos limitou-se apenas a dizer que aguarda a posição da justiça comum, para depois tomar alguma providência.

Já a Prefeitura de São José dos Campos disse que deu todo o apoio necessário â atleta, e que aguarda as providências da chefia dos Jogos.

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