Juros dos DIs sobem com dólar, títulos dos EUA, IPCA e crise política
As taxas dos contratos futuros de juros completaram a quinta sessão consecutiva de alta nesta sexta-feira, 6, impulsionadas pela inflação acima do previsto, pelo avanço do dólar ante o real, pela alta dos yields (retornos) dos Treasuries (títulos dos EUA) e pela crise política instalada em Brasília. Ao término da negociação regular na…

As taxas dos contratos futuros de juros completaram a quinta sessão consecutiva de alta nesta sexta-feira, 6, impulsionadas pela inflação acima do previsto, pelo avanço do dólar ante o real, pela alta dos yields (retornos) dos Treasuries (títulos dos EUA) e pela crise política instalada em Brasília.
Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI com vencimento em janeiro de 2016 apontava 13,51%, ante 13,33% ontem. O DI para janeiro de 2017 mostrava 13,43%, de 13,17% no ajuste anterior. E o DI para janeiro de 2021 indicava 12,83%, ante 12,69% na véspera.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de fevereiro subiu 1,22%, ante 1,24% em janeiro e acima do teto das estimativas (de 1,21%, conforme levantamento AE Projeções). A criação de vagas de emprego nos EUA, também acima das projeções, suscitou a percepção de que o Federal Reserve pode iniciar o aperto monetário em junho, dando força ao dólar e às taxas dos T-notes. O relatório oficial (payroll) mostrou a criação de 295 mil postos em fevereiro, bem acima dos 240 mil esperados. O número reforçou a avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) será levado a subir os juros em um futuro próximo.
Antes mesmo da abertura dos negócios, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o IGP-DI de fevereiro subiu 0,53%, acima do teto das estimativas, de 0,50%, captado pelo AE Projeções. Na avaliação da equipe de análise econômica da Gradual Investimentos, a surpresa veio dos preços no atacado, com a aceleração do IPA ocorrendo, principalmente, pelo comportamento dos preços agropecuários, que passaram de 0,70% para 1,12% de janeiro para fevereiro.
Os investidores também se mantiveram atentos às notícias vindas de Brasília. Tudo porque o embate entre Planalto e Congresso, que coloca em risco a aprovação de medidas fiscais no Senado e na Câmara, não arrefeceu. Assim como não diminuíram as preocupações em torno da Lista de Janot, com os nomes de políticos supostamente envolvidos nos desvios na Petrobras. A expectativa é de que a relação seja divulgada ainda hoje.
Além disso, autoridades do governo seguiram demonstrando tranquilidade na tarde de hoje quanto ao avanço recente do dólar. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que o governo está fazendo seu trabalho para corrigir o que precisa ser corrigido. Segundo ele, “o governo não tem uma meta de câmbio, a gente trabalha com qualquer cotação”, disse.
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