Juros futuros se ajustam para baixo com influência da Moody’s

O mercado futuro de juros voltou a ajustar as taxas para baixo nesta terça-feira, 27, sem deixar de lado a cautela com indefinições dos cenários interno e externo. Os investidores mantiveram as atenções voltadas à política monetária dos EUA e à política fiscal do Brasil. O anúncio de que o governo revisou a meta de superávit primário para um…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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O mercado futuro de juros voltou a ajustar as taxas para baixo nesta terça-feira, 27, sem deixar de lado a cautela com indefinições dos cenários interno e externo. Os investidores mantiveram as atenções voltadas à política monetária dos EUA e à política fiscal do Brasil.

O anúncio de que o governo revisou a meta de superávit primário para um déficit orçamentário de aproximadamente 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 acabou por gerar efeito bastante pontual no mercado. Isso porque, antes de conhecer os dados, o mercado já repercutia positivamente a avaliação da agência classificadora de risco Moody’s, de que essa revisão não seria uma surpresa.

A divulgação do dado foi feita pelo relator do projeto de lei que altera a meta do superávit do Orçamento da União de 2015, deputado Hugo Leal (PROS-RJ). Segundo ele informou, o País terá um déficit de R$ 51,8 bilhões, sem contar com as chamadas pedaladas fiscais. De acordo com o relator, este número equivale a aproximadamente 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Pouco antes, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmara que o resultado primário negativo em 2015 ficaria perto de 1% do PIB. A meta já foi alterada em julho pelo governo e passou de 1,1% do PIB para 0,15% do PIB antes desta nova mudança.

“A revisão não é uma surpresa, tendo em vista os ciclos político e econômico negativos que têm limitado dramaticamente a agenda de consolidação fiscal do governo”, afirmou a Moody’s em relatório, ponderando que já incorporava um déficit primário de 1% em suas projeções e que a revisão tem impacto “mínimo” na avaliação da força fiscal do Brasil.

O relatório da agência de classificação de risco contribuiu para aprofundar o ritmo de queda com que as taxas já vinham operando, uma vez que reduziu os temores de que a elevação do rombo nas contas públicas pudesse precipitar um rebaixamento do rating brasileiro.

Segundo profissionais do mercado, outro fator que favoreceu o ajuste das taxas para baixo foi a decisão do Tesouro Nacional de limitar a oferta de títulos de longo prazo atrelados à inflação e emitir menos títulos prefixados, anunciada ontem. Para amanhã, a expectativa é com a reunião do Federal Reserve (o BC dos EUA), que decidirá sobre os juros básicos da economia local, hoje em torno de zero. A aposta de manutenção dos juros é praticamente unânime, o que manteve os yields dos Tresauries em baixa. Mas os agentes aguardam uma sinalização sobre o momento em que o aperto monetário será iniciado.

Nos negócios na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2016 terminou o horário regular com taxa de 14,25%, ante 14,26% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2017 fechou em 15,22%, de 15,32%. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 teve taxa de 15,73%, ante 15,92% no ajuste anterior.

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