Justiça concede liberdade provisória a homem que atropelou 4 na Dutra

Comerciante de 44 anos não tinha antecedentes criminais, segundo a polícia

Escrito por: Rodrigo Fernandes3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
atropelamento_7

Atropelamento ocorreu durante os protestos da greve geral

Divulgação/Polícia Militar

A Justiça concedeu na tarde desta quinta-feira (4) a liberdade provisória ao comerciante Michel Chuluk Da Hora Santiago, 44 anos, que atropelou quatro estudantes na via Dutra, em São José dos Campos, durante os protestos da greve geral.

Ele estava preso na penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P2, em Tremembé.

Segundo a decisão, ele poderá responder em liberdade à acusação de tentativa de homicídio.

A reportagem do Meon não conseguiu contato com a defesa do comerciante. A advogada Karina Petratti, que representava Santiago inicialmente, não atua mais no caso.

O atropelamento aconteceu na tarde do dia 28 na altura do km 148 da via Dutra (sentido São Paulo), próximo ao CenterVale Shopping, onde um grupo de estudantes fazia um bloqueio.

Santiago tentou passar pelo local, mas teve o carro cercado. Ele acelerou, então, o veículo e acabou atropelando quatro jovens.

O comerciante tentou fugir, mas foi interceptado por policiais militares da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motos) ainda na Dutra.

Duas das vítimas atropeladas foram encaminhadas ao Hospital Municipal, onde permaneceram internadas. Ambas já tiveram alta –a última delas, no sábado (29).

Em depoimento à Polícia Civil, o comerciante –que não tinha antecedentes criminais– alegou que tomou a decisão de acelerar o carro porque ficou com medo que os manifestantes ateassem fogo no veículo.

Ele afirmou ainda que havia acabado de sair do HM, onde uma avó estaria internada, e que um outro familiar o esperava para assumir o posto no hospital.

Inquérito

A Polícia Civil deverá concluir nesta sexta-feira (5) o inquérito que investiga o caso.

Até a tarde desta quinta-feira, o delegado responsável pelo caso, Sidney Dorce, aguardava apenas o depoimento de uma das estudantes atropeladas.

Ao Meon, o delegado disse não ter dúvidas de que o caso se enquadra como tentativa de homicídio dolosa, quando há a intenção de matar.

“Não há que se falar em acidente de trânsito. Ele [Santiago] usou uma força desproporcional para passar pelos manifestantes, assumindo o risco de tirar a vida de alguém”, afirmou.

“Encaminharemos o inquérito à Justiça, que poderá, posteriormente, pedir novas diligências, caso julgue necessário.”

O inquérito sobre o caso deverá ser concluído pela policia civil nesta sexta-feira (5).

Publicado em: