Laços de família: psicóloga defende extensão de licença paternidade
O início do conceito de família para recém-nascidos começa nos primeiros dias de vida. Por essa razão, especialistas apontam que a figura presente do pai e da mãe durante a adaptação da criança ao novo lar é indispensável.


Francisco Mota, 34 anos, emendou as férias com a licença paternidade para ficar mais tempo com o filho
Arquivo pessoal
O início do conceito de família para recém-nascidos começa nos primeiros dias de vida. Por essa razão, especialistas apontam que a figura presente do pai e da mãe durante a adaptação da criança ao novo lar é indispensável.
Apesar dessa recomendação, a lei respalda apenas à mãe o benefício da licença remunerada de 120 dias para a recuperação e os primeiros cuidados com o bebê. Já para o pai a constituição garante apenas cinco dias corridos, a contar do nascimento da criança.
A psicóloga Fabiana Luckemeyer, da Adolescentro, clínica especializada no atendimento de crianças e adolescentes em São José dos Campos, considera que este tempo oferecido aos pais está muito abaixo do ideal. De acordo com a profissional, seriam necessários de um a dois meses de licença para a criação dos primeiros laços entre pai e filho.
“Apesar da mãe ser a figura de maior destaque, pela amamentação e outros cuidados, o pai é quem transmite segurança. A ausência, que já começa nos primeiros dias de vida, é um dos fatores que influencia na relação distante entre pais e filhos nas famílias hoje “, explica.
Para conseguir ser uma figura mais presente na vida de seu recém-nascido, o papai de primeira viagem Francisco Mota, 34 anos, resolveu unir as férias com a licença paternidade. Foi a solução que Mota encontrou para curtir as primeiras semanas do pequeno Samuel.
“Cinco dias é muito pouco, só os três primeiros dias já seriam dentro da maternidade. Eu queria participar da adaptação do meu filho ao nosso lar, então negociei com a empresa em que trabalho e consegui emendar minhas férias com a licença”, conta.
Samuel nasceu no dia 18 de maio e o pai esteve próximo durante os primeiros 20 dias de vida do filho. A empolgação foi tanta que ele resolveu criar um blog com dicas para quem, como ele, é pai de primeira viagem.
“Ninguém nos prepara para tornarmos pais. Você embarca nessa viagem e vai descobrindo no meio do caminho o que deve fazer. E bate então aquela vontade de compartilhar as descobertas, os desafios e as delícias dessa nova etapa”, conta Francisco em seu blog.
Parto
Além de se dedicar aos primeiros cuidados com a criança, a mulher ainda está em um momento debilitado emocional e o fisicamente por causa do parto. Para o obstetra Luiz Oscar, a mãe precisa ser acompanhada durante toda a recuperação, reafirmando a presença do pai e marido.
“Uma mulher leva cerca de duas semanas para se recuperar e esse é o tempo mínimo que o pai deveria ter para acompanhá-la em casa. O apoio tranquiliza e mãe que, consequentemente, tranquiliza a criança”, diz Oscar.
No exterior
O Instituto Papai, uma ONG que atua na busca pela extensão da licença-paterna, elaborou um levantamento com as licenças oferecidas pela lei em alguns países. O Canadá segue na primeira posição com cerca de sete meses, seguido dos Estados Unidos, com três meses. No Brasil, a lei garante cinco dias e na Argentina e Paraguai, dois dias. Já no Chile, o benefício é de um dia.
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