Leandro Pereira e os treinos de esporte e lazer adaptativo em São José
A experiência vivenciada por Leandro Pereira, o Lilica, durante os doze anos em que disputou o Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, serviu para promover o bem estar social das PCDs (Pessoas com Deficiência) através da prática desportiva e atividades vivenciadas no ambiente natural.


Leandro Pereira e os treinos de esporte e lazer adaptativo em São José
Reprodução/Facebook
A experiência vivenciada por Leandro Pereira, o Lilica, durante os 12 anos em que disputou o Circuito Brasileiro de Corridas de Aventura, serviu para promover o bem-estar social das PCDs (Pessoas com Deficiência) por meio da prática desportiva e atividades no ambiente natural.
Leandro Pereira é instrutor de rafting, escalada e outros esportes de aventura e há quatro anos teve a ideia de criar o projeto ELA (Esporte e Lazer Adaptativo), após ter a experiência de remar pela primeira vez com um cadeirante. “No mesmo dia que remei com ele, escrevi o projeto e entreguei para arrumar alguém para tocar. Por fim, larguei tudo e estou aqui há quatro anos e na frente do projeto”, conta.
Em entrevista ao Meon, o instrutor explica como funciona o projeto e quem pode participar.
Como funciona o projeto?
O projeto trabalha em quatro frentes. A primeira é na reabilitação do lesado medular utilizando a canoagem e a prática de handbike (bicicleta impulsionada pelas mãos) como recurso fisioterapêutico. A segunda é a realização de um estudo com esses pacientes para avaliar cientificamente os efeitos do esporte adaptativo sobre os sistemas músculo-esquelético, cardiopulmonar e sobre a qualidade de vida de indivíduos que sofreram lesão medular, utilizando a instrumentação biomédica. A terceira é a inclusão social, a melhora da autoestima, da qualidade de vida e a promoção da diversão. A quarta é a educação. Estamos recebendo desde o início deste ano crianças de escolas infantis para aprenderem a remar com professores cadeirantes e dessa forma, promover a interação destas crianças com as pessoas deficientes.
Atualmente, quantos deficientes são atendidos?
Hoje o projeto atende 12 pacientes a cada três meses, duas vezes por semana, sendo mais de dois mil atendimentos já realizados. Os alunos relatam que o esporte adaptativo lhes deu mais independência, autonomia, força, equilíbrio, melhora no controle dos espasmos musculares, redução das infecções urinárias entre outras coisas. Alguns deles, são esses encaminhados por médicos e hospitais de Caraguatatuba, São Sebastião, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Santa Isabel, Resende e também do Centro de Reabilitação Motora Luci Montoro de São José dos Campos.
Qual a sua parceria com a Univap (Universidade do Vale do Paraíba)?
Eu havia sido aluno da Univap e sabia que a faculdade poderia me oferecer ajuda, pois tinha ótimas instalações para que o projeto fosse desenvolvido. Quando apresentei esse trabalho a Universidade foi muito receptiva, em seguida, liguei para o atleta de kayak Pedro Oliva e pedi ajuda para conseguir os primeiros kayaks do projeto, o mesmo desde então apadrinhou e abraçou o projeto e está firme comigo até hoje. Após quatro anos, a Univap cede toda sua estrutura, setor de hidroterapia e demais equipamentos, assim como envolve muitas áreas da universidade, como fisioterapia, nutrição, enfermagem, biomedicina e laboratório de engenharia de reabilitação sensório motora.
Por quê incluir crianças no trabalho?
A necessidade de educar sobre inclusão ainda na infância é importante, dessa forma acreditamos que esse garoto nunca vai ocupar uma vaga para PCDs nem por um minutinho, se um dia for arquiteto fará tudo acessível desde a planta, se comerciante, terá acessibilidade em seu estabelecimento, enfim. É comum a pessoa que sofre um trauma medular passar por um período de adaptação e aceitação, nesse período deixa de ter seu papel ativo na sociedade, de produzir e também ser consumidor, antes produzia, tinha profissão, agora está desmotivado. O intuito do projeto é trazer a pessoa de volta a ativa em todos os sentidos, enxergar um novo horizonte repleto de possibilidades.
Quem pode participar? E com qual deficiência?
Indivíduos de ambos os sexos, que sofreram lesão medular, podendo ser paraplégicos, paraparéticos e tetraparéticos, que apresentem espasticidade em membros inferiores e tempo de lesão acima de oito meses. De modo geral, os paraplégicos e paraparéticos são encaminhados para a atividade de canoagem adaptada e os tetraparéticos para os treinos com a handbike. A faixa etária deve variar de 15 a 40 anos e existem alguns fatores de exclusão como anormalidades cardiovasculares previamente diagnosticadas, úlceras de decúbito, entre outros. Para participar o paciente precisa de um encaminhamento médico de liberação para praticar a atividade física e uma consulta de inspeção da pele com a equipe de enfermagem da Univap. Além disso, antes do início dos treinos o participante passa por uma anamnese e uma avaliação fisioterapêutica criteriosa.
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