Lucas Silveira, do Fresno, lança disco ‘sujo’ e soturno
Segundo disco do Beeshop tem influências do indie rock americano


O Beeshop surgiu em 2006, inspirado em um personagem que Lucas desenhava em tirinhas
Felipe Rau/Estadão Conteúdo
A versão pai de Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno e ídolo de muitos adolescentes dos anos 2000, pode, em princípio, assustar um pouco. Aos 32 anos, o músico segura a pequena Sky de apenas 5 meses no nas mãos e fala com orgulho sobre a novidade para a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo em sua casa, na zona oeste de São Paulo. “Você passa a ser mais responsável não só em relação à vida, mas ao mundo. Não tem como não ser, na verdade. Não existe espaço no planeta para aquele pai anos 1980, que trabalha o dia inteiro e, no máximo, troca a fralda da criança. A velha figura que vê o filho de vez em quando e coloca refrigerante na mamadeira, saca? Isso já era”, brinca.
Maturidade musical e pessoal. Talvez essas sejam as palavras que melhor definam a atual fase de Lucas. Ele, que acaba de lançar The Life and Death of Beeshop, o segundo disco de estúdio do Beeshop em inglês, seu projeto solo, fala com segurança sobre o trabalho. “Com o tempo de estrada, a gente ganha confiança para desenvolver coisas mais complexas. No primeiro álbum, The Rise and Fall of Beeshop (2010), eu fiz tudo de maneira certinha e convencional. Explorei os elementos básicos de uma gravação. Neste novo, entretanto, não. Pude, de alguma forma, desconstruir e experimentar”, diz.
O Beeshop surgiu em 2006, inspirado em um personagem que Lucas desenhava em tirinhas na época do ensino médio. Se, antes, as canções tinham influências melódicas de bandas clássicas do rock e apresentavam um ar mais alegre e despojado, o clima agora é soturno e reflete, talvez até inconscientemente, o ambiente pesado em que se encontra o mundo. Com uma musicalidade suja e próxima do indie rock norte-americano, The Life and Death of Beeshop não pode ser visto como uma sequência do disco anterior. Os projetos são distintos e proporcionam sentimentos antagônicos “Antes, eu tinha necessidade de mostrar para as pessoas quem eu realmente era. Apenas os fãs mais apaixonados pelo Fresno sabiam da minha verdadeira essência e do que conseguia fazer musicalmente. O disco de estreia é sempre um projeto experimental diferente. Foi um laboratório. Já neste novo trabalho, sabia exatamente o que queria fazer. A sujeira sonora foi totalmente consciente”, ressalta ainda Lucas.
Além do disco, Lucas tem se aventurado como produtor musical. No ano passado, ele produziu um disco de inéditas do RPM. O trabalho com 12 músicas, ainda sem nome, nunca foi lançado. “Ouve isso aqui. Tem bem a pegada do RPM. É rock ‘n’ roll cru e direto, com guitarras distorcidas e uma voz incrível do Paulo (Ricardo). Eles (os integrantes do RPM) queriam algo moderno”, conta.
À frente da banda Fresno há mais de 15 anos, Lucas também se prepara para lançar mais um livro, o segundo de sua trajetória pela Editora Dublinense. Se Eu Não Sei Lidar, o primeiro, é uma obra autobiográfica, Amores Impossíveis e Outras Perturbações Quânticas, que chega às lojas em agosto, é formado por crônicas e narrativas fragmentadas que misturam reminiscências e questionamentos existenciais. “Falo sobre amor e o sentido da vida. É sempre mais complicado escrever neste formato. Exige bagagem e repertório. Acho que isso vai ao encontro do projeto do Beeshop também”, conclui.
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