Lula critica Moro e Dallagnol em discurso logo após sair da prisão em Curitiba

Ex-presidente foi solto na tarde desta sexta-feira; ele cumpria pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Lula discursa logo após deixar prisão em Curitiba

Imagem: Reprodução/ Live Facebook/Lula

Um ano e sete meses após ser preso na Operação Lava Jato para cumprir pena de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou na tarde desta sexta-feira, 8, a cela especial da Polícia Federal em Curitiba.

Lula saiu da sede da PF às 17h42 – pouco mais de uma hora depois da expedição do alvará de soltura. Uma multidão de manifestantes saudou o ex-presidente empunhando bandeiras do PT gritando palavras de ordem.

Logo após sair da prisão, em discurso para a militância, Lula atacou, entre outros nomes, o ministro da Justiça Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol.

“Eu quero dizer que se pegar o Dallagnol, se pegar o Moro, se pegar alguns delegados e bater num liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento neste país”, disse o petista a manifestantes que se aglomeraram na sede da Polícia Federal.

As imagens transmitidas ao vivo pelas emissoras de TV e na página do Lula no Facebook mostram aglomeração de militantes ao redor do ex-presidente e disparos de fogos de artifício. No palco, Lula estava acompanhado de aliados petistas, entre eles, Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Wadih Damous.

“Não tenho dimensão do significado de eu estar aqui junto de vocês. A vida inteira estive conversando com o povo brasileiro, eu não pensei que no dia de hoje, eu poderia estar aqui conversando com homens e mulheres que durante 580 dias ficaram aqui”, disse o ex-presidente.  “Todo santo dia, vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir”.

Liberdade

A ordem de soltura do petista foi dada, às 16h15, pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, menos de 24 horas depois de o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância – caso de Lula.

Lula foi condenado no caso triplex pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro de Justiça e Segurança Pública, que lhe impôs nove anos e seis meses de reclusão. A pena foi aumenta para 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Tribunal da Lava Jato. Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a sanção para 8 anos, dez meses e vinte dias de reclusão.

O petista cumpria pena desde a noite de sete de abril de 2018 em uma cela especial dentro da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. O ex-presidente é acusado de receber propinas da empreiteira OAS em troca de contratos da Petrobras.

O repasse teria sido materializado em obras de melhorias e ampliação de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista, e também por meio do armazenamento de bens que o ex-presidente recebeu durante seus dois mandatos no Planalto, entre 2002 a 2009.

Lula sempre negou o recebimento de vantagens indevidas. Ele é réu em outras ações penais, como no caso do sítio de Atibaia, no interior paulista, pelo qual foi condenado a doze anos e onze meses de reclusão pela juíza Gabriela Hardt em fevereiro deste ano. O caso será julgado no próximo dia 27 pelo TRF-4, que analisará se a sentença será anulada e o processo remetido de volta às alegações finais.

Com informações da Redação do Meon

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