Mãe fala pela 1ª vez após a tragédia com filha em Caraguatatuba

Alunos, familiares, amigos e funcionários da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Aparecida de Carvalho, localizada no bairro do Tinga, região central de Caraguatatuba, realizaram uma manifestação pacífica em homenagem à ex-aluna Ághata Nogueira de Sá Neves, 10 anos, morta no último dia 30 após se enforcar no tecido acrobático usado nas aulas de circo do Centro Integrado de Desenvolvimento Educacional, que fica nas dependências do colégio.

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
fundo_placeholder-023136
20141030_homenagem_tragedia_tecidoacronatico940_caragua_leninhavianaimprensalivre

Alunos, familiares e funcionários da escola prestam homenagem à Ághata

Leninha Viana/Imprensa Livre

Alunos, familiares, amigos e funcionários da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Aparecida de Carvalho, localizada no bairro do Tinga, região central de Caraguatatuba, realizaram uma manifestação pacífica em homenagem à ex-aluna Ághata Nogueira de Sá Neves, 10 anos, morta no último dia 30 após se enforcar no tecido acrobático usado nas aulas de circo do Centro Integrado de Desenvolvimento Educacional, que fica nas dependências do colégio.

Cartazes com o nome da menina e frases de carinho eram carregados por crianças e adolescentes que improvisaram uma minipasseata na praça em frente ao local e entoavam a música “Campeão, Vencedor”, da cantora gospel Jamilly. Muitos pais estavam emocionados e inconformados com a tragédia que abalou a cidade.

De acordo com depoimentos prestados à Polícia Civil no dia da ocorrência, a menina, filha da auxiliar de limpeza, Elisângela Nogueira de Sá Santos, 32 anos, funcionária da escola, costumava brincar nos tecidos, pois participava das aulas do projeto Circo Escola e estaria na instituição após o período escolar à espera de um responsável para buscá-la. No momento do acidente, apenas uma funcionária da administração estava na recepção e o vigia, que é padrasto da vítima, estava de folga.

Algumas pessoas presentes na manifestação lamentaram a fatalidade e sugeriram reforço nas medidas de segurança para evitar novas tragédias. “Foi uma infelicidade, mas é preciso reavaliar as medidas de segurança. A piscina, por exemplo, é uma tragédia anunciada. No fim de semana pessoas e crianças pulam o muro para usar”, relata uma moradora que não quis se identificar.

A líder comunitária, Vânia Maria Leite, 57 anos, era uma das mais emocionadas. “Não podemos culpar a escola, embora tenha algumas coisas que a gente vê que poderiam melhorar. A Ághata está no céu olhando pela gente e nesse momento os pais, que ficaram, é que precisam de luz e muito apoio”, salientou.

“Não sou negligente” 
Extremamente abalada pela perda da única filha, a auxiliar de limpeza Elisângela Nogueira de Sá falou pela primeira vez após a tragédia. Muito emocionada, ela desmentiu a versão apontada pela vice-diretora da Emef, Mariana Cristina Nereu, que, em depoimento à polícia afirmou que a criança ficava constantemente no colégio até às 19h -horário em que a mãe, o padrasto ou uma amiga de Elisângela iam buscá-la.

“Nunca fui negligente. Sempre peguei minha filha no horário correto, nunca passava essa responsabilidade para ninguém. Me atrasei naquele dia porque estava no mercado, não sou essa mãe desnaturada que estão falando por aí em comentários maldosos”.

Segundo Elisângela, na quinta-feira haveria uma festa de Halloween para os funcionários da escola e todos estavam envolvidos com o evento. “Fui ao mercado comprar bebida e atrasei para chegar, mas não foi depois das 19h como estão falando no rádio e na TV, pois o atestado de óbito da minha filha fala que ela morreu às 19h, então eu fui buscá-la mais cedo, não me atrasei tanto assim”, conta.

Ainda conforme Elisângela, o horário de saída da menina era 18h15 e ela chegou na escola por volta de 18h40, procurou a filha e perguntou para sua colega sobre a criança, mas ela disse que não tinha visto Ághata. A mãe se dirigiu então à casa da sogra, que fica perto da escola, mas também não encontrou a menina. Voltou ao colégio e resolveu subir ao teatro e encontrou a criança enforcada no tecido. “Jamais vou esquecer aquela cena horrível, entrei em choque, gritei desesperada e desmaiei”, lembra.

A partir dos seus gritos, muitas pessoas chegaram e um rapaz que ela não sabe identificar cortou o tecido com faca. Integrantes do Serviço de Atendimento Médico de Urgência socorreram a menina, que teve três paradas cardíacas e chegou ao hospital com vida, mas não resistiu. “Só queria que respeitassem a minha dor e parassem de falar besteiras. Eu nunca fui negligente e amava minha filha. Ninguém pode imaginar a dor que estou sentindo”.

O padrasto da menina, Marcos Geraldo Morgado, 44 anos, atua como vigia na escola e também se manifestou sobre o ocorrido. “Infelizmente no dia dessa tragédia eu estava de folga, mas já cansamos de entregar crianças após o horário escolar. Sempre tem que ficar alguém responsável e não é justo ficar apontando a mãe como única culpada. Só Deus sabe o que minha mulher está passando. O pai da menina também está muito abalado, até tentou o suicídio. Foi uma fatalidade”, acredita.

Em nota emitida no dia, a Prefeitura de Caraguatatuba informou que “lamenta profundamente o acidente ocorrido com a aluna” e que está prestando toda assistência à família e à autoridade policial. Esclareceu ainda que está aguardando o resultado das investigações, bem como da sindicância interna que foi instaurada para posteriormente emitir pronunciamento conclusivo.

Publicado em: