Preço dos imóveis tende a se ‘ajustar’, diz diretor regional do Secovi

Expectativa é que o mercado imobiliário se normalize nos próximos anos

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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Expectativa é que o mercado imobiliário se normalize nos próximos dois anos

Flavio Pereira/Meon

Para o diretor do Secovi (Sindicato da Habitação), no Vale do Paraíba, Marcondes Cesar, o mercado imobiliário vai encontrar um preço mais ajustado para o bolso do consumidor e deve caminhar para a sua normalidade nos próximos dois anos. Em 2014, o mercado ficou em 1/5 da velocidade histórica de vendas.

“O mercado vai tender para uma normalidade na sua velocidade de vendas, já está acontecendo uma adequação nos preços de terreno, a mão de obra já não subiu tanto esse ano no dissídio coletivo, os materiais pararam de subir. Desta forma, o mercado também vai encontrar um preço mais ajustado para o bolso do comprador. Nossa expectativa é que o mercado caminhe pra uma normalidade em 2015 e 2016, normalidade essa que deve ficar em torno do patamar de 6% a 7% da velocidade de vendas”, diz Marcondes Cesar.

“Historicamente, nossa velocidade de vendas é em torno de 7%, ou seja, pra cada 100 unidades que você leva para o mercado, você vende sete unidades/mês, isso a gente chama de velocidade de vendas. Há três, quatro anos atrás, naquele boom imobiliário, nós chegamos a 18% de velocidade de vendas, este ano de 2014 nossa velocidade foi 1,7%, nós estamos por tanto, a 1/5 da velocidade histórica”, explica Marcondes Cesar.

“Então, se eu vendo sete unidades por mês, chego no final de 12 meses, eu vendi 84 unidades e viabilizei o prédio, se eu vendo 18% em 5 meses eu viabilizei, mas se eu vendo 1,7% vou demorar 5 anos para viabilizar”, conta.

Segundo Marcondes Cesar, no ano passado o mercado imobiliário deu uma forte freada e ter ficado a 1/5 da sua velocidade histórica, foi consequência de alguns fatores, como por exemplo, o Carnaval, Copa do Mundo e Eleições.

“Ano passado tivemos três eventos, primeiro foi um carnaval tardio, em março, isso dispersa as pessoas, depois uma Copa do Mundo, que também divide as atenções, e em seguida, uma eleição muito acirrada que foi disputada até o ultimo dia, nós tivemos 60 a 90 dias de campanha eleitoral intensa”, diz.

“Além disso, tivemos um excesso de ofertas de produtos na época do boom imobiliário e uma elevação do preço bastante considerável. Preços dos terrenos subiram, mão de obra subiu, material subiu, por consequência, o produto final também subiu. Pior que a má notícia é a insegurança, por exemplo, você vê várias pessoas sendo mandadas embora do emprego, como você vai comprar um apartamento com esse cenário nebuloso? A primeira coisa que você faz é parar”, explica.

“A construção civil é a ponta boa ou ruim do mercado, ou seja, quando o mercado está parado, o imóvel é o primeiro a parar, você troca seu sabonete, mas não vai comprar por um apartamento de R$ 300, R$ 400 mil, então quando o mercado tende a parar nós somos os primeiros a sentir, em seguida vem toda uma cadeia, por exemplo, as lojas de móveis ainda não sentiram a crise do setor porque estão mobiliando os imóveis da época do boom, vão sentir quando? daqui dois três anos, porque hoje não está tendo loteamento, oferta, compra”, diz.

“Em contrapartida, somos os primeiros a sentir a recuperação, porque quando o mercado tende a ter uma recuperação, as pessoas querem fazer um investimento de raiz, de segurança, com garantia”, conta Marcondes Cesar.

“O déficit brasileiro hoje está estimado em 15.4 milhões de habitações, nós temos 1.2 milhões de casamentos por ano, uma média de 450 mil desquites e um crescimento vegetativo da população. Ano passado tivemos algo em torno de 200 bilhões de investimentos no mercado imobiliário e produzimos um milhão de habitações, se nós produzirmos um milhão de habitações por ano, temos mercado para os próximos dez anos, isso significa que mercado nós temos pra continuar crescendo”, conclui Marcondes Cesar.

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