Médico usa celular para consultar bula antes de prescrever remédio e acaba afastado do PS de Igaratá

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) vai abrir sindicância para apurar se houve abuso por parte da Prefeitura de Igaratá no afastamento de um médico do Pronto-Socorro Municipal.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Cremesp vai apurar abusos em afastamento de médico em Igaratá

Divulgação

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) vai abrir sindicância para apurar se houve abuso por parte da Prefeitura de Igaratá no afastamento de um médico do Pronto-Socorro Municipal.

O clínico geral foi afastado do serviço na última quinta-feira (4) depois que Paulo Clemente da Silva Junior reclamou, em sessão de Câmara, que o médico teria consultado no celular qual medicamento prescrever para o filho dele, que estava com crise de vômito.

A consulta médica foi realizada no dia 3 de setembro. O pai da criança também fez a denúncia à prefeitura, que decidiu afastar o profissional de saúde. O médico não teve o nome revelado.

O caso chegou no Cremesp por um de seus fiscais e agora o Conselho de Medicina vai apurar se houve abuso por parte da Secretária Municipal de Saúde no afastamento do clínico geral ou se o médico agiu de forma incoerente com o protocolo de atendimento.

De acordo com o Cremesp, para melhorar o ato médico, faz parte da política de incentivo do Conselho de Medicina que os profissionais utilizem todos os meios disponíveis, tais como consulta à internet, seja em computador, celular ou tablet. Esses recursos podem ser utilizados para consultar de forma rápida códigos, protocolos, artigos atualizados, entre outros procedimentos.

“Vim aqui nesta tribuna por um descaso. Hoje, minha esposa esperou duas horas para ser atendida. E aí quando entra, o médico vem dizer: deixa eu consultar se ele pode tomar o remédio pelo telefone na internet? Isso é um absurdo” destacou o pai da criança durante a sessão na Câmara.

Silva Junior reclamou ainda que o médico era muito novo para atender seu filho. “O jovem tem que trabalhar do lado de pessoas experientes, e a prefeitura não tem que trazer jovens aqui sem experiência nenhuma para atender num pronto-socorro, onde vai chegar pessoas com várias doenças”, disse.

Outro lado 
A secretária de Saúde de Igaratá, Tatiany Pereira de Oliveira, disse ao Meon que pediu à direção do pronto-socorro que tirasse o médico da escala de plantão e o afastasse para apurar o que realmente aconteceu.

“Queria ouvir os dois lados. O médico disse que apenas usou um aplicativo em seu celular, muito difundido entre os médicos, conhecido como Blackbook. Neste, ele consulta detalhes sobre medicamentos, as bulas, só isso”, conta a secretária.

Tatiany relata ainda que, segundo o médico, Silva Junior queria que fosse prescrito um remédio para seu filho, que era contra-indicado para crianças. “A consulta no aplicativo foi para comprovar na bula do medicamento, a informação de que não poderia prescrever o que o pai queria. Vamos continuar apurando, mas até aqui não achei excessos”, conclui.

Segundo a secretária, o médico se desculpou com a direção do hospital e deve retornar para o atendimento.

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