Meirelles levará para OCDE mensagem de que governo trabalha por reformas

Com o Brasil em busca de um convite para o ingresso formal na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terá extensa agenda esta semana em Paris na reunião anual dos ministros da entidade multilateral. Além de encontros com representantes dos países membros para mostrar a…

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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Com o Brasil em busca de um convite para o ingresso formal na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terá extensa agenda esta semana em Paris na reunião anual dos ministros da entidade multilateral. Além de encontros com representantes dos países membros para mostrar a disposição do Brasil em fazer parte do organismo, Meirelles também tentará passar a empresários franceses a mensagem de que, a despeito da crise política, o governo continua trabalhando na agenda de reformas econômicas.

O Conselho de Ministros da OCDE se reúne entre quarta e sexta-feira (dias 7 a 9) em Paris. O Brasil está entre os 35 Estados membros da organização, mas é um parceiro-chave, ao lado de China, Índia, África do Sul e Indonésia. Na semana passada, o governo brasileiro enviou à OCDE uma carta expressando o seu desejo de ser convidado a iniciar o processo de adesão a esse grupo.

Na avaliação do governo, o Brasil tem chances de receber esse convite antes de outros países que também já o solicitaram – como Peru e Argentina, na América do Sul – devido ao extenso trabalho de cooperação já existente entre o País e a OCDE e pelo fato de ser considerado parceiro-chave do grupo desde 2007. Fontes da Fazenda afirmam que a expectativa é de que o convite formal venha nos próximos meses.

Para se tornar membro efetivo da OCDE, o País terá que atender aos requisitos de todos os comitês do organismo, mas a área técnica acredita que mais de 70% das regras multilaterais exigidas – nas mais diversas áreas, desde a legislação ambiental às normas tributárias – já são seguidas pelo Brasil. Ainda assim, podem ser necessárias mudanças em leis e regulações, sobretudo no aprimoramento da governança das instituições brasileiras.

Já as dificuldades na aprovação de reformas estruturais com a da Previdência e a trabalhista não devem atrapalhar o processo de adesão brasileiro, porque a OCDE – embora esteja interessada na sustentabilidade das finanças públicas dos Estados membros – não exige um receituário de medidas e planos econômicos com metas bem definidas, como no caso dos programas instituídos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para o governo, a grande vantagem em ser membro pleno da OCDE está na participação de todas as discussões do grupo, e não apenas nas quais o País já é convidado. Além disso, o Brasil passaria a fazer parte de todos os estudos promovidos pelo organismo, que também envia missões para o auxílio em reformas estruturais, quando solicitado. O custo dessa participação, de cerca de US$ 10 milhões por ano, também é considerado baixo para o País.

Agenda

Meirelles viaja ainda nesta segunda-feira, 5, para a França, mas sua agenda oficial em Paris se inicia mesmo na quarta-feira, 7, quando acompanhará a abertura do encontro e falará em um painel sobre a globalização. O fenômeno é considerado positivo pelo Brasil, mas ultimamente tem enfrentado repercussões negativas da parte de alguns países membros do organismo.

À tarde, ele fará apresentação na agência de promoção comercial francesa Business France sobre a retomada do crescimento no Brasil e terá encontro bilateral com o chefe da delegação do Reino Unido na OCDE. Está ainda prevista uma fala à imprensa no final do dia.

Na quinta-feira, 8, o ministro continua a agenda de reuniões com um encontro com representantes do empresariado da indústria e dos serviços da França e depois com o secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, que seria um entusiasta da entrada do Brasil no grupo.

À tarde, está prevista uma nova fala à imprensa e o ministro ainda se encontrará com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, e com empresários em evento organizado pelo banco BNP Paribas.

Na sexta-feira, 9, Meirelles participa de um encontro com líderes latino-americanos e do Caribe no Ministério de Economia da França, e depois de reunião com o novo ministro francês, Bruno Le Maire.

Estão ainda previstos encontros com representantes do Japão, Alemanha e Nova Zelândia na OCDE, antes do retorno de Meirelles ao Brasil, na noite de sexta-feira.

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