Melo planeja preparação olímpica com Soares e defende Zverev de acusações
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois longos abraços ainda em quadra marcaram o último jogo da dupla entre os tenistas Marcelo Melo e Lukasz Kubot, no dia 19 de novembro. Emocionados na arena 02, em Londres, brasileiro e polonês davam adeus a um time de sucesso. Foram 15 títulos conquistados juntos, entre eles o de Wimbledon, em 2017, ano em que…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Dois longos abraços ainda em quadra marcaram o último jogo da dupla entre os tenistas Marcelo Melo e Lukasz Kubot, no dia 19 de novembro.
Emocionados na arena 02, em Londres, brasileiro e polonês davam adeus a um time de sucesso. Foram 15 títulos conquistados juntos, entre eles o de Wimbledon, em 2017, ano em que fixaram a parceria.
Melo, 37, e Kubot, 38, dividiram a liderança do ranking de duplas da ATP (Associação dos Profissionais do Tênis) por 16 semanas, de janeiro a abril de 2018. O mineiro de Belo Horizonte soma 56 semanas no topo, em quatro períodos diferentes desde novembro de 2015.
A parceria se despediu com vitória no último jogo da fase de grupos do ATP Finals. Não foi suficiente para conseguir a classificação às semifinais, mas emocionou até os rivais daquele dia, o holandês Wesley Koolhof e o croata Nikola Mektic.
“A outra dupla falou no vestiário que era meio estranho dizer isso, mas que eles até ficaram felizes por a gente ter ganhado aquele jogo, para encerrar com vitória”, conta ao jornal Folha de S.Paulo Marcelo Melo, atualmente o décimo colocado do ranking.
A iniciativa de encerrar o time partiu do brasileiro depois da disputa de Roland Garros, no início de outubro, quando foram eliminados na segunda rodada. A volta após a paralisação de cinco meses do circuito pela pandemia da Covid-19 não vinha sendo um período de bons resultados para eles.
Kubot concordou que a ruptura poderia ser a melhor decisão e abrir novos caminhos para ambos. Como última meta, traçaram o objetivo de se classificar entre as oito melhores duplas da temporada para o ATP Finals. Conseguiram e puderam ter a despedida que almejavam.
“Foi uma descarga muito grande de emoção [o fim do último jogo]. Pensar em tudo o que a gente fez. Nunca gostei muito de trocar de parceiro, mas como fizemos história não queríamos que nossas memórias ficassem apagadas por resultados ruins”, diz Melo.
Durante o mesmo torneio, o também mineiro Bruno Soares, 38, anunciou o fim da sua parceria com o croata Mate Pavic, 27, com quem ganhou o US Open neste ano. Quinto colocado do ranking, ele voltará a se juntar com o britânico Jamie Murray, 34, ao lado de quem ganhou dois Grand Slams.
Já Melo iniciará uma nova formação com o holandês Jean Julien-Rojer, 39.
Não será desta vez que os melhores duplistas brasileiros da história se reunirão novamente no circuito como parceria fixa. Juntos, porém, eles esperam trazer uma medalha para o Brasil na Olimpíada de Tóquio, adiada para julho e agosto de 2021.
Está no projeto disputar alguns torneios lado a lado como preparação no ano que vem, a exemplo do que ocorreu antes dos Jogos do Rio-2016 — na ocasião, perderam nas quartas de final.
“O Bruno se separou do Pavic no Finals [quando Melo já estava acertado com Rojer]. Acabou que não casou de a gente estar sem parceiro ao mesmo tempo, mas o projeto é de jogar alguns torneios juntos, assim como já tínhamos para 2020 antes da pandemia”, afirma Melo.
Melo reconhece que fazer amizades, como a que cultivou com Kubot, é algo difícil em meio a um circuito profissional tão competitivo. Uma exceção foi o alemão Alexander Zverev, 23, sétimo colocado do ranking de simples e de quem se tornou grande amigo.
A ligação, conta o mineiro, começou há alguns anos, a partir de brincadeiras quando ambos se preparavam para entrar em quadra antes de seus jogos no torneio de Rotterdam e assistiam a uma partida.
“Eu brinquei com ele que o cara que estava sacando tinha que fazer saque e voleio. Ele disse que eu não entendia nada. Aí o cara ganhou o ponto. No dia seguinte coincidiu de a gente estar esperando de novo, eu falei a mesma coisa e deu certo mais uma vez. Depois disso começamos a conversar em torneios seguintes e ficamos amigos.”
Sem rivalidade, por se dedicarem a circuitos diferentes na maior parte do tempo, os dois já viajaram juntos de férias, e Melo costuma estar presente nos jogos de Zverev. Ainda sem planos concretos para o pós-carreira, o mineiro brinca sobre já ter avisado o alemão de que não será seu treinador futuramente. “Eu já falei para ele que técnico não, talvez assistente.”
No fim de outubro, Zverev foi acusado de agressão física, violência psicológica e comportamento abusivo pela ex-namorada Olga Sharypova, modelo e ex-tenista juvenil. Os dois se conhecem desde a adolescência e namoraram por cerca de um ano entre 2018 e 2019.
A russa detalhou à revista americana Racquet um episódio que teria ocorrido durante a disputa da Laver Cup, na Suíça, em setembro do ano passado. Segundo seu relato, o tenista chegou a lhe dar um soco no rosto durante uma discussão num quarto de hotel.
“Em outras brigas, ele estava me empurrando, torcendo meus braços ou me sufocando. Mas essa foi a primeira vez que ele me deu um soco. Realmente me deu um soco.”
Melo afirma que ficou surpreso com as acusações: “Todo mundo sabe que a gente tem uma amizade muito forte. Quase tudo o que acontece com ele eu sei. Não acredito que ele tenha feito nada daquilo. Nunca o vi praticando nenhum tipo de agressão, longe disso, e sou amigo dele justamente pelo que ele é, uma pessoa muito gente fina, um cara de quem as pessoas querem estar perto”.
O brasileiro diz que chegou a viajar de férias com o casal, mas que não estava presente nas ocasiões em que ela relata ter sofrido agressões. “É delicado, logicamente. Mas, até que se prove o contrário, não acredito.”
Zverev evitou o tema em entrevistas coletivas. Ele se defendeu nas redes sociais e chamou as acusações de infundadas. “Isso me deixou muito triste. Nós nos conhecemos desde crianças e dividimos muitas experiências juntos. Lamento muito que ela tenha feito essas declarações, porque as acusações não são verdadeiras.”
Encerrado em novembro, o circuito do tênis voltará em meados de janeiro de 2021, com adaptações provocadas pela pandemia. O calendário oficial deverá ser divulgado pela ATP nesta quarta. O primeiro grande torneio do ano será o Australian Open, em fevereiro.
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