MEON JOVEM: Potencialização do El Niño pode ser indicativo do aquecimento global

Comunidade científica diz que anomalia pode ter vindo para ficar

Escrito por: Gabriella Lourenço4 min de leitura
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A comunidade científica mundial ligada a climatologia estuda hoje a possibilidade de haver um El Niño permanente ou vários deles de longa duração, algo que tinha sido projetado pelos cientistas já nos anos 90 e já foi apresentado aos integrantes do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU. Os El Niños mais intensos dos últimos 120 anos ocorreram de 1998 para o momento, ao mesmo tempo que os cientistas também passaram a registrar as maiores temperaturas no globo terrestre.

A NOAA dos Estados Unidos (Administração Nacional de Oceanos de Atmosfera) informou sobre a formação de uma nova edição do El Niño, que tem uma probabilidade de 80% de ser de forte ou moderado. O pico de atividade do El Niño seria entre dezembro deste ano e março de 2024. A OMM (Organização Meteorológica Mundial) calcula que há 60% de possibilidades de que o El Niño se desenvolva até o final de julho e 80% de possibilidades de estar completo em setembro.

Isso estaria ligado ao aquecimento global, que com o maior calor no planeta será também maior as possibilidades do Oceano Pacífico ficar com suas águas na faixa equatorial e tropical superaquecidas. Isso criaria um novo padrão climático para a Terra, que transformariam terras férteis em desertos e regiões habitadas em locais desérticos e impossíveis para a sobrevivência humana.

Os eventos climáticos extremos, com a presença de El Niños fortes, são potencializados. Outra certeza são as chamadas ‘ondas de calor’ que elevam a temperatura nas cidades por vários dias e derrubam a umidade relativa do ar, piorando a sensação de calor tanto nas pessoas como nos animais.

Essas ondas de calor são conhecidas no meio científico como ‘assassinas silenciosas’, pois elevam tanto a temperatura que superam a capacidade de se suportar esse aquecimento. No começo deste ano, na gelada Sibéria, na Rússia, os termômetros marcaram 38 graus positivos Mais de 3 mil pessoas morreram na Europa, principalmente em Portugal e Espanha. Ano passado, grande parte da China foi devastada com 70 dias de calor extremo. A cada ano essas ondas ficam mais intensas, frequentes e com matam mais pessoas, animais e destroem a agricultura.

Os ventos alísios levando ar quente da região equatorial do Oceano Atlântico para a região oeste do Oceano Pacífico já está ocorrendo e as temperaturas das águas da superfície do mar começam a subir e a alterar o cenário climático de todo o planeta. De acordo com o

Como na edição de 2015-16 quando ocorrerão secas severas na Amazônia e considerado o mais forte do registro histórico, que tem 120 anos de registros. Além das secas no Norte e Nordeste, o El Niño aumenta intensamente as chuvas no Sul. No Sudeste os efeitos do El Niño são imprevisíveis antecipadamente.

Mas não só isso, o volume de incêndios na Amazônia e no Cerrado aumentam de maneira avassaladora e as nuvens de fumaça prejudicam a saúde das pessoas com doenças pulmonares e cardiovasculares, tanto das populações locais como de regiões para onde elas se deslocam com o vento.

O alerta sobre a questão de saúde vem do co-presidente do Painel Científico para Amazônia e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP Carlos Nobre, que também é ex-pesquisador do INPE e criador do Cptec e do Cemaden e engenheiro pelo ITA.

Grande parte do Sudeste do Brasil se assustou com o escurecimento do céu no meio da tarde de 19 de agosto de 2019, devido as intensas queimadas na Amazônia e também grandes incêndios no Paraguai. Era ano de El Niño.

O esfriamento das águas no Pacífico tropical, na mesma faixa onde esquenta muito com o El Niño, é chamado de La Niña. Em 2021-22, mesmo com as águas mais frias no maior oceano do planeta, não impediram novos desastres ambientais por intervenção humana direta.

Em setembro de 2021, imensas nuvens de poeira engoliram as cidades de Minas Gerais e de São Paulo, num fenômeno conhecido como ‘Dust Bowl’ como o ocorrido na crise climática no oeste dos Estados Unidos nos anos 30 do século passado. Por lá duraram 10 anos e o fenômeno se deu, como no Brasil, pela seca com a terra arada para o plantio e totalmente descoberta de vegetação.

Os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados. Entretanto, sem o La Niña, o nível de aquecimento teria sido pior. Essa é o opinião de um dos cientistas do OMM. “Foi como um freio temporário ao aumento da temperatura mundial”, afirmou Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, citado em um comunicado.

Com supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

Gabriella Lourenço
Gabriella Lourenço

9º ano do ensino fundamental II - Alpha Lumen - SJC

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