Idadismo: o preconceito contra a velhice e o futuro que estamos construindo para nós mesmos
O Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais

O Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, mas ainda convive com uma forma silenciosa e persistente de discriminação: o idadismo. Trata-se do preconceito baseado na idade, que reduz a velhice a perdas, dependência e incapacidade, tornando as pessoas idosas socialmente invisíveis.
Esse preconceito aparece em situações cotidianas e em decisões coletivas. Em São Paulo, moradores de um bairro se mobilizaram contra a instalação de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), sob o argumento de que a presença de idosos alteraria a dinâmica local. O episódio revela como a velhice, muitas vezes, é percebida como um incômodo urbano, reforçando estigmas e a segregação.
Outro exemplo está no campo da participação cidadã. A sociedade mobiliza campanhas para incentivar jovens de 16 anos a exercerem o direito ao voto, iniciativa legítima e necessária. Entretanto, por que não existem campanhas semelhantes voltadas às pessoas idosas, especialmente às mais vulneráveis, para garantir seu acesso à informação, à mobilidade e à participação política? A democracia também envelhece, e a exclusão política da velhice é uma expressão do próprio idadismo.
As consequências desse preconceito são profundas. Muitas pessoas idosas se afastam do convívio social, deixam de participar de atividades comunitárias e internalizam estereótipos negativos sobre si mesmas. O isolamento e a perda do sentimento de pertencimento estão associados ao aumento de sintomas de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Talvez a pergunta mais importante seja: que envelhecimento os jovens de hoje desejam experimentar amanhã? Uma velhice marcada pela exclusão e pelo preconceito ou uma etapa de vida caracterizada pela autonomia, participação, aprendizado e dignidade? Combater o idadismo é, em última análise, um compromisso com o próprio futuro. Afinal, se tivermos sorte, todos nós envelheceremos. E a sociedade que construímos hoje poderá ser a mesma em que viveremos amanhã.

Caminhos do Envelhecer
Luiz Eduardo dos Santos, gerontólogo, mestre em Gerontologia pela UFSCar e administrador de empresas, com atuação voltada à Saúde Coletiva, envelhecimento, direitos da pessoa idosa e qualificação de políticas públicas. Possui experiência na coordenação e assessoramento de projetos em atenção à saúde…
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