Após referendo italiano, Bolsas da Europa fecham em alta, mas Milão recua

As bolsas europeias fecharam em alta nesta segunda-feira, 5, após reverterem perdas iniciais depois que o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, perdeu o referendo de reforma constitucional, com os investidores dizendo que o resultado já estava precificado. Em Milão, por outro lado, o impacto continuou a ser negativo, uma vez que a situação…

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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As bolsas europeias fecharam em alta nesta segunda-feira, 5, após reverterem perdas iniciais depois que o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, perdeu o referendo de reforma constitucional, com os investidores dizendo que o resultado já estava precificado. Em Milão, por outro lado, o impacto continuou a ser negativo, uma vez que a situação dos bancos italianos deve ficar ainda mais delicada. Além disso, o mercado se atrelou à possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) anunciar extensão dos estímulos nesta semana.

A Bolsa de Londres terminou em alta de 0,24%, aos 6.746,83 pontos; Paris subiu 1,00%, aos 4.574,32 pontos; Frankfurt avançou 1,63%, aos 10.684,83 pontos; Madri ganhou 0,67%, aos 8.664,70 pontos e Lisboa avançou 0,43%, aos 4.410,81 pontos. No entanto, a Bolsa de Milão caiu 0,21%, aos 17.050,21 pontos.

A derrota nas urnas do premiê italiano teve um efeito limitado sobre as bolsas. Após uma reação inicial negativa, que levou as bolsas asiáticas a fecharem em queda, os mercados minimizaram a notícia, que pesava sobre a Europa na última semana. Os bancos italianos foram duramente atingidos nas últimas semanas em meio a temores de que a saída de Renzi atrasaria ou desviaria os esforços para fortalecer as instituições financeiras do país, o que poderia contaminar as instituições financeiras de outros países.

Quase 60% da população optou por não realizar uma reforma na Constituição. Com o referendo, Renzi, queria mudar as leis para que o poder executivo precisasse de aprovação apenas da Câmara baixa do parlamento para aprovar leis. Renzi acha que esta mudança seria essencial para impulsionar a economia sem brilho da Itália. Ele prometeu que caso perdesse, ele renunciaria, algo que deve ser feito ainda nesta segunda.

Os investidores estão preocupados com a possibilidade de novas eleições na terceira maior economia do euro e com o impacto que a atual instabilidade política terá para o frágil sistema bancário.

Logo após o resultado, o euro atingiu o menor nível em 21 anos frente ao dólar durante os negócios asiáticos, chegando a atingir US$ 1,0505, de 1,0669 na sexta-feira. Mas a moeda reverteu as perdas e passou a subir mais de US$ 1,0749 após os ânimos serem acalmados.

Ewald Nowotny, integrante do conselho diretor do Banco Central Europeu (BCE), disse nesta segunda que bancos específicos da Itália têm problemas, mas não o setor bancário do país como um todo, e que esses problemas são gerenciáveis. O comentário minimizou as preocupações do mercado.

Mais tarde, o ministro italiano para Assuntos da União Europeia, Sandro Gozi, descartou nesta segunda preocupações de que o resultado do referendo na Itália possa afetar os bancos do país, mas alertou que a renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi é uma “má notícia” para a Europa.

Apesar de o índice pan-europeu Stoxx 600 terminar em alta de 0,66%, com a maioria dos setores que o compõem em alta, o setor financeiro, no entanto, recuou pressionado por instituições italianas, como o Unicredit e o Banca Popolare de Milan em queda demais de 7%.

O turbulento banco italiano Monte dei Paschi di Siena reuniu nesta segunda conselheiros para discutir se deve implementar um plano de recapitalização de 5 bilhões de euros (US$ 5,29 bilhões), informou o Financial Times. Suas ações caíram 4,2%.

As demais bolsas foram beneficiadas. Em Londres, o destaque de alta ficou com as mineradoras, que aproveitaram para se recuperar das fortes quedas recentes, com a Antofagasta em alta de 5,3% e a Glencore com avanço de 4,8%.

Em Frankfurt, contribuiu para os ganhos a expectativa de que o BCE deverá anunciar extensão de seu programa de compra de ativos, que está marcado para terminar em março. A expectativa é que a instituição prorrogue o término em seis meses.

O anúncio deve ser feito na quinta-feira, quando acontece a reunião de política monetária do banco. Entre os maiores ganhos, a fabricantes e fornecedora de automóveis Continental fechou em alta de 2,5%. Antes da reunião do BCE, os investidores observarão de perto na terça-feira a reunião dos ministros de finanças da União Europeia (Ecofin), os pedidos à indústria da Alemanha e o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro. Com informações da Dow Jones Newswires

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