Bolsa de NY cai após Yellen dizer que aperto em dezembro é ‘possibilidade viva’
As bolsas dos EUA fecharam em baixa nesta quarta-feira, 4, mas com os principais índices bastante acima das mínimas do dia. O mercado reagiu a declarações sobre política monetária feitas por dois dirigentes importantes do Federal Reserve, que fizeram crescer a expectativa de que o Fed elevará as taxas de juro em dezembro. O dia também foi…

As bolsas dos EUA fecharam em baixa nesta quarta-feira, 4, mas com os principais índices bastante acima das mínimas do dia. O mercado reagiu a declarações sobre política monetária feitas por dois dirigentes importantes do Federal Reserve, que fizeram crescer a expectativa de que o Fed elevará as taxas de juro em dezembro. O dia também foi marcado por indicadores econômicos mistos e informes de resultados de empresas. Com nova queda dos preços do petróleo, as ações do setor de energia estavam entre as maiores baixas.
“As duas coisas que estão forçando o mercado a rumar um pouco para o sul são a possibilidade maior de uma elevação das taxas de juro em dezembro e a surra que o petróleo está levando”, disse Tom Carter, da JonesTrading.
As bolsas abriram em alta, depois da divulgação da estimativa de criação de empregos em outubro, da Automatic Data Processing/Moody’s Analytics. O mercado também reagiu positivamente à abertura em alta dos preços do petróleo e aos avanços das bolsas da China; a de Xangai subiu 4,31% e a de Shenzhen avançou 5,14%, depois de banco central do país (PBoC) divulgar um artigo do presidente da instituição,, Zhou Xiaochuan, no qual ele diz que um sistema único de negociação vinculando as bolsas de Shenzhen e de Hong Kong deverá ser lançado ainda neste ano.
Ainda no final da manhã, os preços do petróleo passaram a cair, depois da divulgação dos dados do Departamento de Energia dos EUA (DoE) sobre o nível dos estoques norte-americanos na semana passada; aproximadamente na mesma hora, a presidente do Fed, Janet Yellen, iniciou seu depoimento sobre supervisão e regulamentação bancária no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. Ela reafirmou que a economia dos EUA continua a crescer, que os riscos diante da perspectiva da economia estão quase equilibrados, embora a debilidade da economia global esteja tendo impacto no país, e que dezembro é “uma possibilidade viva” para o Fed começar a elevar as taxas de juro. Em reação a essas declarações, o índice Dow Jones chegou a cair 90 pontos.
O depoimento de Yellen foi acompanhado por alta do dólar diante das principais moedas e por quedas nos preços dos títulos do Tesouro dos EUA, com correspondente alta nos yields; as ações passaram a recuar, assim como o preço do ouro. Na Chicago Mercantile Exchange (CME), os contratos futuros de Fed Funds projetavam hoje uma probabilidade de 60,1% de que a taxa dos Fed Funds seja elevada para 0,50% em dezembro; ontem, essa probabilidade estava em 52,3%.
No meio da tarde, o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, disse concordar com Yellen que um aperto monetário em dezembro é “uma possibilidade viva”, mas com a ressalva de que “vamos ver o que os indicadores mostram”. Ele respondia a perguntas do público depois de falar sobre problemas como a desigualdade de renda e a falta de mobilidade social, durante conferência na sede do Fed de Nova York. Dudley também disse que vai aprofundar seus comentários sobre política monetária no dia 12, durante evento do Economic Club de Nova York. O mercado de ações, que havia recuperado algum terreno depois de Yellen concluir seu depoimento na Câmara, voltou a acelerar o movimento de baixa.
“Janet Yellen já vinha sinalizando há um ano que as taxas de juro serão elevadas, e os mercados já embutiram essa possibilidade nos preços. Não vamos esquecer que os mercados na verdade subiram depois da última reunião do Fed, quando o comunicado sugeria que as taxas de juro poderiam ser elevadas em dezembro”, comentou o estrategista Bruce Bittles, da RW Baird. Ele acrescentou que “vivemos em uma economia de dois níveis, na qual a manufatura está em decadência, mas o serviços, que é uma parte muito maior da economia, tem bom desempenho. A lentidão no crescimento da economia ainda é a melhor opção para o mercado de ações”.
Segundo a ADP, foram criados 182 mil postos de trabalho no setor privado em outubro, pouco mais do que os 180 mil previstos pelos economistas; o número de postos de trabalho criados em setembro foi revisado para 190 mil, de 200 mil. Os dados da ADP são considerados uma indicação de como vão sair os números oficiais do nível de emprego em outubro (o chamado “payroll”), que saem na sexta-feira; economistas ouvidos pelo Wall Street Journal preveem que tenham sido criados 183 mil postos de trabalho, de 142 mil em setembro, e que a taxa de desemprego tenha recuado de 5,1% para 5,0%.
O déficit comercial dos EUA caiu a US$ 40,81 bilhões em setembro, o mais baixo desde fevereiro, quando a expectativa era um déficit de US$ 41,0 bilhões. O déficit caiu 15% em relação aos US$ 48,0 bilhões de agosto. As exportações somaram US$ 187,9 bilhões em setembro, com crescimento de 1,62% em relação aos US$ 184,9 bilhões de agosto; as importações ficaram em US$ 228,7 bilhões em setembro, com queda de 1,85% em relação aos US$ 233,0 bilhões de agosto.
O índice de atividade dos gerentes de compras (PMI) para o setor de serviços, da Markit, recuou para 54,9 em outubro, de 55,1 em setembro; o PMI composto ficou em 55,0 em outubro, mesmo nível de setembro. O índice PMI do setor de serviços do ISM (Instituto para Gestão de Oferta) subiu para 59,1 em outubro, de 56,9 em setembro; os economistas previam que ele ficasse em 56,5.
Dos dez setores em que se divide o S&P-500, oito fecharam em baixa; as exceções foram os setores de tecnologia e de serviços públicos, que tiveram altas modestas. Os que mais caíram foram o de energia e o de produtos de consumo não essenciais. No setor de energia, as ações da Chevron caíram 1,40% e as da ExxonMobil recuaram 1,00%.
Entre as ações que reagiram à divulgação de informes de resultados, os destaques foram Tesla Motors (+11,17%), Time Warner (-6,60%), Chesapeake Energy (-1,97%), Etsy (-9,61%), Groupon (-26,30%) Lumber Liquidators (+10,06%), Avon Products (-19,95%), Wendy’s (+4,45%), Michael Kors Holding (+8,27%), Revlon (-5,96%), Allergan (-0,53%) e Motorola Solutions (-8,58%). Entre as ações de empresas que divulgariam resultados após o fechamento, os destaques foram Facebook (+1,33%), Qualcomm (-1,00%) e Whole Foods Market (-1,63%).
O índice Dow Jones fechou em queda de 50,57 pontos (0,28%), em 17.867,58 pontos. O Nasdaq fechou em baixa de 2,65 pontos (0,05%), em 5.142,48 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 7,48 pontos (0,35%), em 2.102,31 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires
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