Bolsas de NY fecham em queda forte; baixa do petróleo traz temor de recessão
As bolsas dos EUA fecharam em queda forte nesta terça-feira, 2, acompanhando outros mercados globais de ações em sua reação à nova baixa dos preços do petróleo, que caíram 5,5% e fecharam a menos de US$ 30 por barril em Nova York. Analistas disseram que a queda persistente dos preços do petróleo, antes vista como um fator positivo para as…

As bolsas dos EUA fecharam em queda forte nesta terça-feira, 2, acompanhando outros mercados globais de ações em sua reação à nova baixa dos preços do petróleo, que caíram 5,5% e fecharam a menos de US$ 30 por barril em Nova York. Analistas disseram que a queda persistente dos preços do petróleo, antes vista como um fator positivo para as empresas e a economia, por levar a reduções de custos, agora fazem crescer as preocupações quanto ao risco de default de empresas de energia e mesmo de países que dependem muito da receita com exportações de petróleo.
“Embora os preços baixos do petróleo devam estimular os gastos dos consumidores e ajudar as empresas a reduzir custos, a preocupação maior entre os investidores é se o declínio dos preços do petróleo e a debilidade da economia da China podem ser precursores de uma recessão global”, disse David Donabedian, da Atlantic Trust Private Wealth Management. Ele ressalvou que não acredita que uma recessão global seja iminente.
O estrategista John Canally, da LPL Financial, usou a imagem da marmota do filme “Groundhog Day” (Feitiço do Tempo) para descrever o sentimento dos investidores: “Para alguns investidores, o temor é de que o desempenho do mercado em janeiro deste ano se repita várias vezes ao longo do ano, como no filme de 1993 com Bill Murray e Andy McDowell. Outros investidores temem que se repita o ano de 1998, com erros de bancos centrais, mercado de câmbio volátil, onda atrás de onda de desvalorizações de moedas e, eventualmente, um default soberano. Outro grupo de aficionados do Dia da Marmota pensam que a queda dos preços do petróleo, a alta do dólar, a falta de crescimento dos lucros das empresas, uma recessão no setor industrial, uma ‘aterrissagem dura’ da economia na China e a possibilidade de os bancos centrais ficarem ‘sem munição’ estão levando a economia global ao precipício de um novo 2008.”
Coincidência ou não, hoje foi Dia da Marmota, tradição que remonta a 1887. Os patrocinadores do evento em Punxsutawney (Pensilvânia) disseram que a marmota Phil viu sua sombra, o que foi interpretado como sinal de que o inverno vai terminar logo (no Canadá, que tem a mesma tradição, a marmota Winnipeg Will morreu na sexta-feira passada, informou o centro de reabilitação animal PWRC, de Manitoba).
As ações do setor de energia estavam entre as que mais caíram – reagindo não apenas à queda dos preços do petróleo, como também a informes de resultados de empresas importantes do setor, entre elas a britânica BP, que fechou em queda de 8,68% na bolsa de Londres.
A nova queda das ações levou os investidores a buscarem ativos considerados mais seguros, entre eles os títulos do Tesouro dos EUA. As taxas de retorno dos Treasuries, que caminham na direção contrária à dos preços, tiveram queda forte; o juro da T-note de 10 anos teve sua maior queda em um único dia desde 6 de julho do ano passado, para o nível mais baixo em nove meses e meio.
Isso levou a quedas fortes das ações do setor financeiro, já que a elevação dos juros de prazos mais longos tende a reduzir os spreads de crédito dos bancos. As ações mais negociadas hoje na bolsa de Nova York foram as do Bank of America, com volume de 125,6 milhões de ações; elas caíram 5,23%.
Nas mínimas do dia, o índice Dow Jones chegou a cair 340 pontos (2,07%), o Nasdaq a perder 117 pontos (2,54%) e o S&P-500 a cair 42 pontos (2,17%).
“Todas as questões que levaram o mercado a cair nos primeiros dias do ano ainda estão aí”, comentou Bill Nichols, chefe de operações com ações norte-americanas da Cantor Fitzgerald.
O único indicador divulgado nos EUA foi o índice de atividade da região metropolitana de Nova York em janeiro, do Instituto para Gestão de Oferta, que caiu a 54,6 em janeiro, nível mais baixo em quatro meses, de 62,0 em dezembro.
Dos dez componentes setoriais do S&P-500, o único a fechar em alta foi o de utilidades públicas, onde as empresas costumam pagar dividendos mais elevados (+0,37%); os destaques negativos foram o setor de energia (-3,26%), o financeiro (-2,61%), o de tecnologia (2,02%) e o de indústrias (-1,98%).e Na Chicago Board Options Exchange (CBOE), o índice de volatilidade VIX subiu 10,01%, para 21,98, com máxima intraday de 22,42.
Das 30 componentes do índice Dow Jones, a única ação a fechar em alta foi DuPont (+5,40%). No setor de energia, as ações da ExxonMobil, que divulgou resultados do quarto trimestre, caíram 2,23%; as da Chevron caíram 4,75%. As ações da Pfizer, que também divulgou resultados, recuaram 0,10%. Outros destaques negativos foram Goldman Sachs (-4,98%), JPMorgan Chase (-3,11%), Boeing (-3,32%), Caterpillar (-3,24%), Intel (-3,31%) e Microsoft (-3,13%).
Entre as ações de empresas que divulgaram balanços, outros destaques foram Alphabet, a controladora do Google (+1,32%), Mattel (+13,83%), Michael Kors (+23,91%), UPS (+0,65%) e Dow Chemical (+5,75%).
Entre as ações de empresas que divulgariam resultados hoje depois do fechamento, os destaques foram Yahoo (-1,72%), Gilead Sciences (-1,59%) e Chipotle Mexican Grill (+0,64%).
O índice Dow Jones fechou em queda de 295,64 pontos (1,80%), em 16.153,54 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 103,42 pontos (2,24%), em 4.516,95 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 36,35 pontos (1,87%), em 1.903,03 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires
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