Bolsas dos EUA têm maior alta em 3 meses com ‘payroll’ e discurso de Draghi

As bolsas dos EUA fecharam em alta forte nesta sexta-feira, 4, depois de os dados do nível de emprego nos EUA em novembro reforçarem a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) começará a elevar as taxas de juro de curto prazo na reunião dos dias 15 e 16. A alta ganhou mais impulso no meio da tarde, depois de o presidente do Banco Central…

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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As bolsas dos EUA fecharam em alta forte nesta sexta-feira, 4, depois de os dados do nível de emprego nos EUA em novembro reforçarem a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) começará a elevar as taxas de juro de curto prazo na reunião dos dias 15 e 16. A alta ganhou mais impulso no meio da tarde, depois de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmar durante evento em Nova York que a instituição tem como aumentar seu programa de estímulo à economia da zona do euro se isso for necessário para fazer a inflação subir na direção da meta.

Na quinta-feira, o BCE havia decepcionado os mercados ao anunciar, ao fim de sua reunião de política monetária, uma redução da taxa de depósitos de -0,20% para -0,30% e uma prorrogação do programa de compras de bônus, que deveria terminar em setembro de 2016, para março de 2017. A decisão ficou aquém da expectativa que prevalecia no mercado, de que o BCE também aumentasse o volume mensal de suas compras de bônus, que está em € 60 bilhões desde o início do programa, em março. Essa expectativa do mercado havia sido reforçada nas últimas semanas por declarações “dovish” do próprio Draghi e de outros dirigentes do BCE.

O dólar subiu diante das principais moedas, revertendo a baixa de ontem, e os preços dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram, com correspondente baixa nos juros. As bolsas dos EUA e da Europa haviam caído ontem, acompanhando a alta do euro e a queda do dólar que se seguiram à decisão do BCE. Os preços do petróleo subiram, em reação à baixa do dólar.

Hoje, as bolsas europeias caíram, acompanhando a baixa dos preços do petróleo, depois de a Opep frustrar a expectativa de quem previa uma decisão de reduzir a produção para dar sustentação aos preços. Na verdade, as metas de produção dos países membros foram mantidas inalteradas, mas a meta da Opep como um todo foi elevada para 31,5 milhões de barris/dia, de 30 milhões de barris/dia, para acomodar a volta da Indonésia à organização.

Nos EUA foram criados 211 mil postos de trabalho em novembro, quando os economistas previam 200 mil; a taxa de desemprego ficou em 5,0%, mesmo nível de outubro e em linha com a expectativa. Os dados dos dois meses anteriores foram revisados para cima, acrescentando mais 35 mil postos de trabalho criados. Outro indicador divulgado hoje foi o saldo da balança comercial de outubro, O déficit comercial cresceu para US$ 43,9 bilhões, de US$ 42,5 bIlhões em setembro; economistas previam um déficit de US$ 40,5 bilhões. As exportações ficaram em US$ 184,1 bilhões em outubro, de US$ 186,8 bilhões em setembro. As importações ficaram em US$ 228,0 bilhões, de US$ 229,3 bilhões em setembro.

Referindo-se aos dados do nível de emprego, Brian Nick, da UBS Wealth Management, disse que “eles praticamente garantem que haverá uma elevação das taxas de juro neste ano”. Gary Pollack, chefe da área de renda fixa da unidade de Wealth Management do Deutsche Bank, disse que “a primeira elevação das taxas de juro é fato consumado, mas a trajetória de alta será rasa”. Na Chicago Mercantile Exchange (CME), os contratos futuros de Fed Funds projetavam hoje uma probabilidade de 79,1% de que o Fed eleve a taxa dos Fed Funds para 0,50% no dia 16.

Os índices Dow Jones e S&P-500 tiveram suas maiores altas em três meses e voltaram a acumular ganhos em 2015. Dos dez setores principais do S&P-500, o único a cair foi o de energia (-0,53%); os componentes com as maiores altas foram o de telecomunicações (+2,68%), o financeiro (+2,64%), o de saúde (+2,43%) e o de tecnologia (+2,42%). Todas as 30 componentes do Dow fecharam em alta, com destaque para Apple (+3,32%), JPMorgan Chase (+3,18%) e Microsoft (+3,15%).

O índice Dow Jones fechou em alta de 369,96 pontos (2,12%), em 17.847,63 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 104,74 pontos (2,08%), em 5.142,27 pontos. O S&P-500 fechou em alta de 42,07 pontos (2,05%), em 2.091,69 pontos.

Na semana, o Dow acumulou uma alta de 0,28%, o Nasdaq teve um ganho de 0,29% e o S&P-500 subiu 0,08%. Fonte: Dow Jones Newswires

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