Bolsas europeias sobem com detalhes sobre programa de compra de ativos do BCE

As bolsas da Europa fecharam em alta nesta quinta-feira, 5, após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fornecer mais detalhes sobre o programa de compras de ativos da entidade. Entre as novidades, o dirigente disse que as aquisições de bônus públicos devem começar na segunda-feira e que a iniciativa incluirá papéis…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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As bolsas da Europa fecharam em alta nesta quinta-feira, 5, após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fornecer mais detalhes sobre o programa de compras de ativos da entidade. Entre as novidades, o dirigente disse que as aquisições de bônus públicos devem começar na segunda-feira e que a iniciativa incluirá papéis soberanos com juros negativos. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou com elevação de 0,81%, aos 393,78 pontos.

Para enfrentar os riscos de deflação na zona do euro, o BCE começará a comprar dívida de países do bloco a partir de 9 de março, informou Draghi em entrevista coletiva após a entidade manter suas principais taxas de juros inalteradas. Na reunião de política monetária desta quinta-feira, foi decidido que a taxa de refinanciamento continua na mínima histórica, de 0,05%, enquanto a taxa de juros de empréstimo marginal permanece em 0,30% e a taxa para depósitos bancários fica em -0,20%.

A decisão do BCE veio em linha com as previsões e trouxe pouco impacto nos mercados, servindo principalmente para aumentar a expectativa com as falas de Draghi. Investidores e analistas buscavam saber quando seria dada a largada do programa e que tipos de ativos seriam comprados ao ritmo mensal de 60 bilhões de euros até setembro de 2016. Além da data de início, Draghi disse que o BCE também comprará bônus públicos com rendimentos negativos, tendo como limite a taxa de depósito, de -0,20%.

Segundo o estrategista de mercado global Vincent Juvyns, do JPMorgan Asset Management, o plano de comprar ativos com rendimento negativo até a taxa de depósito deve aumentar a eficácia do programa de relaxamento quantitativo. “Os críticos podem dizer que o BCE está dando um tiro no pé” ao comprar esses ativos, mas “ele vai lembrar os investidores que eles não têm de lutar contra os bancos centrais”.

Ao mesmo tempo, o fato de que o BCE não vai comprar qualquer papel com rendimento negativo mostra aos investidores que há limites para o quão longe o banco está disposto a ir para bater suas metas. “Isso talvez incentive detentores de títulos a vender em algum momento – eles sabem o nível em que o BCE vai parar de comprar”, disse ele.

Com isso, o índice londrino FTSE-100 encerrou com elevação de 0,61%, aos 6.961,14 pontos, e o milanês FTSEMIB ganhou 1,22%, aos 22.400,08 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 1,00%, aos 11.504,01 pontos, e o PSI20, de Lisboa, subiu 1,72%, aos 5.636,67 pontos. Em Madri, o índice IBEX-35 subiu 0,66%, aos 11.124,40 pontos.

No noticiário corporativo, o Carrefour anunciou que teve lucro líquido de 1,25 bilhão de euros em 2014, ligeiramente menor que o ganho de 1,26 bilhão de euros registrado no ano anterior. As vendas recuaram 0,5% no ano passado, a 76,32 bilhões de euros, uma vez que o crescimento na América Latina não foi suficiente para compensar a fraca expansão na Europa, de modo geral, e na França, em particular.

As ações do Carrefour fecharam em forte alta em Paris, após o grupo varejista francês anunciar que seu executivo-chefe, Georges Plassat, retomará o cargo antes do fim de abril, depois de um período de afastamento para se recuperar de uma cirurgia. Segundo o banco de investimento Bryan Garnier, o anúncio da volta de Plassat foi o ponto alto do relatório do Carrefour. Os papéis do Carrefour avançaram 2,38% no mercado francês, levando o índice parisiense CAC-40 a avançar 0,94%, aos 4.963,51 pontos.

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