Como cuidar do estoque alimentar no organismo sem engordar?
Nosso corpo é muito, muito esperto. Ele quer, mais do que qualquer coisa, sobreviver. Por isso, é mestre em armazenar o máximo de energia possível, pensando nos momentos de escassez que eram comuns nos primeiros estágios de nossa evolução. Mesmo quando os homens pré-históricos cometiam excessos, eles não engordavam, porque gastavam muita energia no dia a dia, com as tarefas de caça, pesca e coleta, além do fato de permanecerem por longos períodos sem alimento.


Nosso cérebro reclama da falta de estoque no organismo
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Nosso corpo é muito, muito esperto. Ele quer, mais do que qualquer coisa, sobreviver. Por isso, é mestre em armazenar o máximo de energia possível, pensando nos momentos de escassez que eram comuns nos primeiros estágios de nossa evolução. Mesmo quando os homens pré-históricos cometiam excessos, eles não engordavam, porque gastavam muita energia no dia a dia, com as tarefas de caça, pesca e coleta, além do fato de permanecerem por longos períodos sem alimento.
Mas a tecnologia chegou e o que deveria ser uma vantagem evolutiva se tornou um fardo para mais de 500 milhões de adultos – de acordo com a Organização Mundial de Saúde, esse é o número de pessoas com mais de 20 anos que estão obesos no mundo, além dos 35% da população adulta que está com sobrepeso. A grande disposição de alimentos industrializados (ricos em gordura, conservantes, sódio, corantes…) combinada com a vida sedentária só trouxe um acúmulo crescente de gordura acompanhado da redução cada vez maior da massa magra.
Estoque
Segundo a nutricionista Mônica Stockler, a gordura tem funções fundamentais em nosso corpo. “Além de armazenar energia, a gordura abaixo da camada de pele armazena ajuda no controle da temperatura corporal. Ela acaba por se concentrar em maior quantidade na região abdominal para a proteção dos nossos órgãos vitais, e essa nós chamamos de gordura visceral”, explica a nutri.
O que faz a gordura passar de benéfica para perigosa são os excessos, pois o nosso corpo não elimina os nutrientes e calorias recebidos da alimentação. Tudo o que comemos além de nossa necessidade é transformado em gordura corporal e vai para o tecido adiposo. E já que a gordura tem como objetivo principal garantir a reserva energética, qual energia realmente utilizamos ao longo do dia para nossas atividades diárias? A glicose.
A glicose é o nutriente mais importante para as atividades diárias e o funcionamento de nosso cérebro (sim, pensar, sonhar, ler… também emagrece!). Também temos uma reserva de glicose que fica no fígado, com a função de suprir nossas necessidades energéticas nos momentos em que não estamos consumindo alimentos.
Mônica explica que, quando ficamos muito tempo sem nos alimentar, esta reserva de glicose do fígado vai se acabando e nosso cérebro começa a reclamar pela falta do combustível principal para seu funcionamento, com dores de cabeça, mal humor, tremedeira, grande sensação de cansaço, sonolência, desânimo, tontura… E uma das estratégias do cérebro é captar energia (glicose) da massa muscular, impedindo ao máximo a liberação da gordura corporal.
“Nosso cérebro entende que, mesmo depois de liberar tantos sinais para induzir ao consumo, o alimento (energia) não vier, então pode estar começando um processo de desnutrição corporal. Ele não entende se o indivíduo está realmente passando fome ou se apenas ficou mais tempo no trabalho e por isso não se alimentou. Ele apenas faz seus comandos, desperta o apetite para que os alimentos sejam consumidos e atendam a nossa necessidade energética, mas se não comemos, ele começa a usar a glicose da massa muscular e inibe a liberação de gordura, para garantir que a reserva energética mantenha-o vivo por mais tempo. Esta estratégia garante que nossa espécie viva em casos de longos períodos de escasses. Se liberássemos a gordura tão facilmente em ocasiões de baixo consumo energético, iríamos morrer muito rápido, nem chegaríamos a quadros de desnutrição avançada”, explica ela.
A nutricionista diz ainda que a grande evidência da perda de massa muscular é a falta de musculatura de desnutridos, que não tem mais o desenho natural do corpo, mas sim a evidência do esqueleto. “Percebe-se isso também nos casos de pessoas que fazem dietas bruscas e passam fome com o intuito de emagrecer. No final desta alimentação bagunçada, acabam perdendo medidas do quadril, coxas, braços e rosto, enquanto no abdômen, onde a gordura se encontra em maior concentração, não se perde tantas medidas, favorecendo o desenvolvimento da flacidez e celulite”, diz ela.
O que fazer?
Ainda de acordo com Mônica, um importante passo na reeducação alimentar é não ultrapassar 3 horas sem se alimentar, pois essa estratégia mantém a reserva de glicose do fígado, faz o cérebro funcionar com maior eficácia, equilibra o apetite ficará, inibe a perda de massa muscular e disponibiliza a perda de gordura corporal.
“Se nosso corpo mantiver um equilíbrio energético, a reserva de glicose do fígado estará sempre mantida em quantidades necessárias, não será necessário o uso da massa muscular, nem a inibição da perda de gordura. Ainda é importante ressaltar que, quando ficamos muito tempo sem nos alimentar, a tendência é da fome ser muito grande e no horário da próxima refeição será inevitável o consumo de quantidades exageradas”, finaliza ela.
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