Compradores de Amor
A mulher abandona uma partida de truco pra tomar banho. Ainda assim, depende muito mais do amor do que da higiene. O homem, ao contrário, não larga seu brinquedo. Gosta muito mais do jogo do que do amor. A mulher, que ri quando está com medo e chora quando se sente livre, numa montanha de […]

A mulher abandona uma partida de truco pra tomar banho. Ainda assim, depende muito mais do amor do que da higiene. O homem, ao contrário, não larga seu brinquedo. Gosta muito mais do jogo do que do amor.
A mulher, que ri quando está com medo e chora quando se sente livre, numa montanha de humores estrógenos, trouxe estratégica e observação das beiradas da savana, vendo homens cagando de medo, devorados por onças. A mulher muda sua peça no tabuleiro com graça. Homens viram canibais.
Na hora de comprar sexo, a mulher mergulha em esvaziamento, sua expressão muda, seus olhos descem em apatia. Quando passam a falar de seus casos, encontros e desencontros, os olhos levantam, o sorriso volta, o vazio se preenche. Na hora de comprar sexo, o homem paga pro vazio, se ocupam do jogo, da cerveja e da azia.
A mulher se prepara para o sexo, pro casamento feliz e sua alma suspira, sentindo que tudo está a caminho. O homem responsabiliza mulher e filhos por ter desistido de ser um cara aventureiro, enquanto é a coragem que lhe falta. Assim, homens e mulheres culpam uns aos outros pelas fraquezas e passam as tardes de domingo no sofá.
Toda mulher sabe que basta botar a felicidade no lugar certo, mas quase nunca bota porque está com a cabeça em outro lugar. Felicidade, para o homem, é uma jogatina, um copo de Bourbon e uma mulher (nua) servindo. Está sempre com a cabeça no mesmo lugar.
Só os vícios femininos, como álcool, carboidratos e compras desnecessárias têm a sedução de desviar sua atenção, levando-as para um mundo diferente. O homem, por sua vez, tem planejamento fixo, vendo-se daqui trinta anos, amparado pela previdência, já quase morando em seu paraíso de virgens.
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