Escola – Partida ou Unida?
Com o advento da Escola de Frankfurt e o chamado Marxismo Cultural, a “luta” e doutrinação de esquerda se faz muito mais no campo cultural do que no campo político.


Sou natural da cidade de Cruzeiro, no interior de São Paulo, tendo estudado até a antiga oitava série (hoje “nono ano”) na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Oswaldo Cruz (mesmo não tendo aprendido nesta mesma escola quem foi e o que fez nosso patrono).
Nesta escola, nos idos de 1992 havia um professor chamado Wilson Mendes, com quem eu tinha aula de Geografia. Eram tempos de Guerra Fria, em que vivíamos em um medo constante de uma ameaça nuclear. Foi o ano da primeira tentativa de golpe na Venezuela, por Hugo Chavez e foi também o ano em que Fernando Collor foi deposto e assumiu Itamar Franco. Ainda vivíamos a Hiperinflação e convivíamos com a União Soviética e o muro de Berlim. Havia, pois, muito a ser estudado na geopolítica mundial e estávamos vivendo tempos históricos, como estamos hoje, em 2017. Mas meu professor de Geografia tinha outros planos…
No primeiro trimestre ele nos fez decorar todos os países do mundo e suas capitais. Eu conhecia o Geoatlas de coração. A partir do segundo trimestre, meu professor iniciou e colocou em prática a doutrinação marxista. Em efetivo, não li O Capital, mas conhecia seu conteúdo. Sabia também que a burguesia fede e que eu deveria me opor a ela de forma veemente. Toda a minha classe se tornou marxista e “de esquerda”, e a adesão aos “caras pintadas” (movimento de rua pela derrubada de Fernando Collor), naquela classe específica foi muito baixo. O que queríamos mesmo era a revolução socialista. E não, ele nunca me disse quem foi Adam Smith e Ludwig Von Mises talvez fosse um desconhecido até mesmo para o Prof. Wilson.
Fiz Direito na Faculdade Salesiana de Lorena/SP (1998/2002) e não, eu nunca ouvi falar em Hayek ou Rothbard. Mas sim, eu estudei profundamente Emile Durkein (criador da disciplina acadêmica de Sociologia, juntamente com Karl Marx e Max Weber).
2017: O mundo mudou. A Esquerda mudou. A Direita não, parte por ser “conservadora”, parte por saber que algo sempre deve ser preservado e algo está em constante evolução.
Com o advento da Escola de Frankfurt e o chamado Marxismo Cultural, a “luta” e doutrinação de esquerda se faz muito mais no campo cultural do que no campo político. O conceito de “politicamente incorreto” e de que não se pode falar certas coisas (mesmo que sejam verdade) estão arraigados na cultura e no subconsciente da sociedade. “Mudar de sexo”, por exemplo, se tornou algo teoricamente viável (sabemos que cientificamente não é) e a ideologia de gênero algo ensinado nas escolas (mesmo sabendo que não existe gênero a não ser nas palavras. Seres vivos tem sexos, e são somente dois). E aí é o ponto que gostaríamos de chegar.
O projeto de lei batizado de “Escola sem Partido” é um daqueles temas que divide opiniões sem que seja lido ou conhecido. O projeto, na íntegra, pode ser lido nesse link: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/1317168.pdf
Na prática, o projeto visa a afixação de um cartaz em cada sala de aula (como aquele dos elevadores: “antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo se encontra parado neste andar”) com alguns deveres dos professores e alguns direitos do alunos. O que se pretende é que seja dada a mesma atenção pelos professores aos alunos do mais amplo aspecto político. Isso implicará em que os Professores estudem e que os alunos saibam que a ideologia socialista foi responsável direta pela morte de milhões de pessoas, seja por fuzilamento ou só por fome mesmo. Mas hoje o professor de história, em alguns casos, não quer ensinar isso, ele quer ensinar que (como eu aprendi) a revolução industrial matou crianças nas fábricas. Bom, ninguém me contou que essas crianças morriam por inanição ou simplesmente por que não chegavam a ser bebês mesmo, antes da industrialização. O professor de Ciências de hoje, muitas vezes, quer ensinar para seu filho de cinco anos que ele pode ser iniciado na vida sexual quando quiser e que a família é secundária na educação.
Recomendo ao leitor que é pai, mãe ou que é filho ou filha, leia o projeto. E pense um pouco no meu exemplo. Verifique na sua própria formação escolar se ela foi mais voltada aos pensamentos de esquerda ou de direita. Pense se o ambiente educacional e cultural está dominado por qual tipo de pensamento político. Somente então, forme sua opinião sobre o Projeto Escola sem Partido.
Ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão.
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