Juros têm sessão volátil e vencimento longo encerra em alta

Os juros não trabalharam colados ao movimento do dólar na sessão desta quarta-feira, 11, com o mercado na expectativa pelo conteúdo da ata da última reunião do Copom, na qual o juro foi elevado em 0,50 ponto porcentual, para 12,75% ao ano. O documento será divulgado amanhã pela manhã. No câmbio, a moeda trocou uma queda inicial por um…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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Os juros não trabalharam colados ao movimento do dólar na sessão desta quarta-feira, 11, com o mercado na expectativa pelo conteúdo da ata da última reunião do Copom, na qual o juro foi elevado em 0,50 ponto porcentual, para 12,75% ao ano. O documento será divulgado amanhã pela manhã. No câmbio, a moeda trocou uma queda inicial por um fechamento em alta, renovando o maior preço desde junho de 2004. Encerrou a R$ 3,1250 (+0,51%).

A volatilidade marcou os negócios nesta sessão e as taxas terminaram sem direção uniforme. As curtas e intermediárias tiveram pequena baixa e os juros longos avançaram. As oscilações do dólar ante o real e as incertezas políticas repercutiram na curva a termo, mas, mesmo assim, após as fortes altas recentes, provocadas por ordens de stop loss, os juros acabaram relativamente comportados.

Ao término da negociação estendida na BM&FBovespa, o DI para maio de 2015 (3.815 contratos) marcava 12,652%, de 12,659% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2016 (140.125 contratos) apontava 13,69%, ante 13,73% ontem. O DI para janeiro de 2017 (342.585 contratos) mostrava mínima de 13,62%, de 13,65% no ajuste anterior. E o DI para janeiro de 2021 (125.280 contratos) indicava 13,07%, ante 13,03% na véspera.

O quadro político e a expectativa pela ata do Copom conduziram os negócios hoje, enquanto a revisão do PIB de anos anteriores anunciada pelo IBGE não interferiu nos negócios. Mas isso pode vir a fazer preço nos próximos dias se ganhar força a discussão sobre uma correção mais ousada do salário mínimo em anos anteriores, diante do aumento do PIB. Até agora, o IBGE anunciou revisão dos dados 2010 e 2011 – de 7,5% para 7,6%, de 2,7% para 3,9%, nesta ordem. O medo é que as centrais queiram uma correção nos valores já pagos do mínimo que usaram esses anos na fórmula de cálculo. O que pode se traduzir em nova perda de recursos diante da fraqueza por que passa o governo. A conferir.

Vale destacar que a trégua na sessão de hoje decorreu do acordo sobre o reajuste da tabela do IR, que agora terá aumento escalonado em 4 alíquotas. A perda será de R$ 6 bilhões, mas não tem preço para o governo neste momento uma trégua na disputa política com o Congresso. E o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, garantiu que o impacto será absorvido pelo governo sem comprometer a meta de 1,2% para o superávit deste ano.

Nas palavras do Financial Times, em análise hoje, o mercado doméstico está “silenciosamente otimista” com o fator Levy, que se traduz na esperança de que o ministro da Fazenda vai conseguir virar o jogo e executar a meta a que se propôs. Esse otimismo, no entanto, não deve ser linear em tempos de dificuldades com o Congresso.

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