Meta fiscal impulsiona DI longo, mas IPCA-15 alivia curto

O mercado, de uma forma geral, reduziu o ritmo durante a tarde desta quarta-feira, 22, à espera da entrevista dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Joaquim Barbosa, sobre uma possível mudança da meta fiscal. A curva a termo de juros, assim, sofreu poucas oscilações no período vespertino, sendo que a ponta longa manteve a…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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O mercado, de uma forma geral, reduziu o ritmo durante a tarde desta quarta-feira, 22, à espera da entrevista dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Joaquim Barbosa, sobre uma possível mudança da meta fiscal.

A curva a termo de juros, assim, sofreu poucas oscilações no período vespertino, sendo que a ponta longa manteve a trajetória de alta exibida desde cedo. A ponta curta reagiu prontamente ao IPCA-15 abaixo da mediana, acabou devolvendo gradativamente a baixa e encostou nos ajustes anteriores perto do fechamento.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o DI para outubro de 2015 marcava 13,931%, de 13,934% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2016 apontava 13,98%, de 13,99% na véspera. O DI para janeiro de 2017 mostrava 13,33%, igual ao ajuste anterior. E o DI para janeiro de 2021 indicava 12,47%, de 12,35% ontem.

O mercado não digeriu muito bem a notícia de que Levy e Barbosa deverão anunciar nesta tarde a redução da meta fiscal. O ministro da Fazenda sempre se posicionou contrário a essa alteração, sobretudo neste momento em que o governo ainda está gastando energia para conquistar credibilidade. E a alteração pode fazer justamente todo esse trabalho ir por água abaixo.

Pouco tempos atrás, patrocinado ou não por interlocutores da equipe econômica, o senador Romero Jucá aventou a possibilidade de redução da meta de 1,1% para 0,4%, e o assunto começou a ganhar corpo – e críticos. A história ganhou contornos quando cresceu a discussão para a criação de bandas para a meta e descambou para o que foi lido hoje na imprensa: que a nova meta pode ser muito abaixo que o 0,4%, ficando em apenas 0,15%.

Em tempos agências de rating reavaliando a nota brasileira, com a Moody’s sendo o expoente mais recente, com o governo tentando conquistar um outlook estável – afastando a perspectiva negativa que pode descambar para a perda efetiva do grau de investimento mais à frente -, os dois ministros terão que ser bastante cuidadosos com o que explicarão nesta tarde.

Ontem, Levy já havia dito que o relatório tem que refletir a realidade e o trabalho de contingenciamento “tem que ser feito sem drama”. Mas o drama faz parte das negociações com ativos.

Tendo esse cenário fiscal como pano de fundo, o resultado do IPCA-15 melhor do que a mediana das projeções acabou por aliviar a ponta curta de juros, que trabalhou praticamente o dia todo em queda, perdendo um pouco de força no período da tarde.

Segundo o IBGE, a taxa ficou em 0,59%, de 0,63% da mediana. No acumulado em 12 meses, entretanto, a inflação encosta em dois dígitos, em 9,25%.

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