Obesidade pode causar câncer?

A obesidade é um risco e pode gerar vários problemas de saúde. O câncer é um deles. Entenda o problema

Escrito por: Gilmar Torquato4 min de leitura
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A obesidade é um risco e pode gerar vários problemas de saúde. O câncer é um deles. Entenda o problema

Reprodução/Ler Saude

Experimentos indicam que excesso de peso facilita o desenvolvimento de tumores malignos. Pesquisadores, no entanto, tentam identificar quais processos estão envolvidos nessa relação.

Estima-se que, se cada adulto reduzir o seu IMC (índice de massa corpórea) em apenas 1%, cerca de 100 mil novos casos de câncer poderão ser evitados no mundo. Os pesos a mais estão rapidamente superando o tabaco como a principal causa previsível de tumores malignos e, embora os dados ainda sejam preliminares, pesquisas sugerem que o risco de desenvolver e morrer de cânceres comuns é aumentado em indivíduos obesos. A obesidade e o sobrepeso contribuem para uma a cada cinco mortes relacionadas ao câncer, e cerca de 84 mil diagnósticos da temida doença a cada ano são atribuídos ao excesso de peso.

Conduzido na Universidade de Oxford, no Reino Unido, o principal estudo a ser apresentado nessa linha oferece uma nova visão sobre a relação da obesidade e a mortalidade por câncer de mama. A pesquisa envolvendo 80 mil pacientes com a doença em estágio inicial indica que o excesso de peso está associado a um risco 34% maior de morte relacionada aos tumores na mama em mulheres prestes a entrar na menopausa e com receptores de estrogênio (ER) positivos para a doença.

Os resultados indicam que os cientistas ainda não entendem os principais mecanismos biológicos pelos quais a obesidade afeta os prognósticos. Das 20 mil pacientes na pré-menopausa com ER positivo, a taxa de mortalidade por câncer de mama foi um terço maior entre as obesas do que naquelas que tinham o peso normal.

É, então, possível que a mudança do estilo de vida mude o prognóstico para pacientes com câncer de mama? Pesquisadores da Universidade de Yale, nos EUA, acreditam que sim. Fernando Maluf, oncologista da Clínica Oncovida, em Brasília, e chefe do Departamento de Oncologia Clínica do Centro Oncológico Antônio Ermério de Moraes, da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, esteve presente no evento e destaca um terceiro trabalho na área. Um estudo do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York (EUA), com 238 mulheres vítimas do câncer de mama demonstrou, pela primeira vez, que a associação entre obesidade e maior risco da doença provavelmente se dá pelo aumento da inflamação no tecido mamário, bem como dos níveis de aromatase, enzima que atua no estrogênio — hormônio feminino ligado aos tumores na mama.

A restrição calórica, dieta em que a ingestão de alimentos é reduzida, tem sido apontada como estratégia de longevidade. Uma nova pesquisa sugere que a prática pode gerar outros benefícios, incluindo melhoras no tratamento contra o câncer de mama. De acordo com um estudo publicado ontem na revista Breast Cancer Research and Treatment, o subtipo triplo negativo da doença – uma das formas mais agressivas – é menos provável de se espalhar (metástase) quando cobaias são alimentadas com uma dieta restrita.

O tecido adiposo é um órgão ativo que precisa ser melhor estudado não só para pacientes obesos que desenvolvem a doença, mas para aqueles com excesso de peso que já tiveram o câncer e que têm a quimioterapia como tratamento indicado. Isso porque os riscos não se restringem ao desenvolvimento da doença, mas também à recorrência do mal. “Pacientes obesos tem 52% a mais de chances que a população geral de desenvolver um câncer fatal. Nas obesas, o percentual é de 62%. Para essas pessoas, o risco após o tratamento de ter recaída é muito maior”, garante Lopes. “Eles também precisam emagrecer porque a obesidade aumenta o risco de aparecer um novo câncer depois do tratamento, aumentando o risco do câncer voltar.” O oncologista ressalta ainda que as chances de metástase são maiores se comparados os paciente com excesso de peso àqueles que mudaram os hábitos de vida e emagreceram.

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