Sobre pais, filhos e educadores

Primeiramente, faz-se necessário encarar uma realidade impressionante: a criança possui uma vida psíquica que passou desapercebida em suas delicadas aparições e o adulto conseguiu sem dar conta disso, anular-lhe os desígnios. O ambiente do adulto não é um ambiente de vida para a criança, mas é sobretudo, um acúmulo de obstáculos entre os quais ele desenvolve […]

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Primeiramente, faz-se necessário encarar uma realidade impressionante: a criança possui uma vida psíquica que passou desapercebida em suas delicadas aparições e o adulto conseguiu sem dar conta disso, anular-lhe os desígnios.

O ambiente do adulto não é um ambiente de vida para a criança, mas é sobretudo, um acúmulo de obstáculos entre os quais ele desenvolve defesas, adaptações deformadas, onde é vítima de sugestões. É a partir dessa realidade exterior que foi estudada a psicologia da criança e foram avaliadas suas características para servirem de base à educação.

Sendo assim, sob cada resposta ou ação surpreendente da criança existe um enigma a ser decifrado e cada um dos seus caprichos é uma impressão exterior de uma causa profunda que não se pode interpretar como um choque superficial defensivo contra um ambiente inadequado, mas é o expoente de uma característica superior e essencial que procura manifestar-se.

Esta soma de características, esta criança desconhecida, é um homem oculto, um ser vivo sequestrado, que é necessário libertar! Pensando-se neste ato, é que pode-se investir com grande margem de sucesso na preparação de um ambiente aberto e adequado ao momento vital, onde surja espontaneamente o diálogo de pais e filhos, onde estes narram e descrevem seus cotidianos na instituição escolar.

Dessa forma, o despertar do interesse dos pais torna-se apenas uma questão de tempo e dedicação, e as crianças representarão
portanto, o agente crucial e decisivo de toda esta incentivação.

O ponto essencial da questão depende de como se deve observar a criança – pais e professores – e do fato de não se poder limitar a um exame exterior, como se fosse o caso de um conhecimento teórico a respeito da maneira de instruir e educar as crianças. Diante dos fatos expostos, não são só os pais e crianças que devem trabalhar neste sentido, mas também os professores, preparando-se interiormente e estudando a si mesmos constantemente.

Portanto, pais e professores, devem preocupar-se em estudar as tendências das crianças, não corrigindo deliberadamente seus erros, mas dando-lhes a chance de adquirir responsabilidade, segurança e confiança através da liberdade de expressão, de suas angústias, fantasias e segredos; para quem sabe assim, a vida delas na escola tornar-se-á mais branda, proveitosa e decisiva, auxiliando na formação de um educador preparado para esse tempo de mudanças constantes e instantâneas.

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