Usina opera com apenas uma turbina
Uma cascata de sete hidrelétricas se alimenta diretamente do fluxo que sai do reservatório de Serra da Mesa. A viagem das águas começa no Alto do Rio Tocantins, em Goiás, e avança rumo ao norte do Brasil, cortando os Estados do Tocantins, Maranhão e Pará. São mais de 2,4 mil quilômetros de travessia até desembocar no golfo amazônico, entre…

Uma cascata de sete hidrelétricas se alimenta diretamente do fluxo que sai do reservatório de Serra da Mesa. A viagem das águas começa no Alto do Rio Tocantins, em Goiás, e avança rumo ao norte do Brasil, cortando os Estados do Tocantins, Maranhão e Pará. São mais de 2,4 mil quilômetros de travessia até desembocar no golfo amazônico, entre Belém e a Ilha de Marajó, no Atlântico.
Serra da Mesa, Cana Brava, São Salvador, Peixe Angical, Luiz Eduardo Magalhães, Estreito, Tucuruí. São 12.780 megawatts de potência instalada à espera das águas do reservatório-mãe, energia equivalente à das usinas de Belo Monte e Teles Pires juntas. No mapa energético, portanto, a barragem do Cerrado tem papel central. E aí está a confusão.
A situação alarmante de Serra da Mesa levou a Agência Nacional de Águas (ANA) a defender que a prioridade máxima na administração das águas do Tocantins seja a segurança hídrica, ou seja, a garantia do consumo humano e da irrigação, em vez da geração de energia elétrica. Da mesma forma que já faz com a gestão do Rio São Francisco, que também agoniza com a seca, a ANA defende uma ação permanente de controle da água no gigante do Cerrado, e não apenas em fases mais críticas atravessadas pela bacia.
“O aprendizado do sistema Cantareira, do rio Paraíba do Sul e do São Francisco demonstra que a geração de energia não necessariamente precisa de água. Ela pode vir de outras fontes. A questão que se coloca é se essa energia será mais cara ou barata. Com relação à água, no entanto, não temos essa opção”, diz o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu. “Hoje, em função da intensidade das crises hídricas, é preciso decidir se queremos energia ou segurança hídrica. A questão energética deve ser derivada do contingente da segurança hídrica. Temos de operar sobre essa égide, permanentemente.”
Gestão elétrica. Para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela fiscalização do setor e administração diária da geração de energia, não há conflito sobre o tema. “Estamos alinhados com essa visão. O uso da água para gestão elétrica é apenas um de seus usos. Isso pode ter sido diferente em gestões passadas, mas na nossa gestão não é. Não temos nenhum tipo de discordância em relação a isso”, diz Luiz Eduardo Barata, que assumiu a diretoria-geral do ONS em maio de 2016.
Segundo Barata, Serra da Mesa já tem mantido a liberação mínima de água, conforme determinação da ANA, mesmo durante o período chuvoso na região, entre dezembro e março. “Estamos absolutamente comprometidos com essa gestão. Entendemos que, quando há crise hídrica e climática, a operação do setor se alinha com isso e respeita as restrições fornecidas pela usina e pelo regulador da água, como já fazemos no Rio São Francisco.”
A estatal Furnas afirmou que, por conta do nível do reservatório estar com 9,21% de sua capacidade, a usina de Serra da Mesa está operando com apenas uma turbina, conforme determinação do ONS, e praticando vazões um pouco acima da vazão mínima de 300 metros cúbicos por segundo, de acordo com as exigências da ANA.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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