Joseense ganha os palcos da capital paulista
Adrianno durante ensaios Arquivo/Yuri Costa Formado em teatro desde 2004, o joseense Adrianno Rodrigues está ganhando os palcos de São Paulo. Com experiências em diversas peças, o ator bate-papo especial com a Coluna Social do Meon e fala sobre a nova peça “Levante”, que entra em cartaz nesta terça-feira (19), em São Paulo. Rodrigues conta […]


Adrianno durante ensaios
Arquivo/Yuri Costa
Formado em teatro desde 2004, o joseense Adrianno Rodrigues está ganhando os palcos de São Paulo. Com experiências em diversas peças, o ator bate-papo especial com a Coluna Social do Meon e fala sobre a nova peça “Levante”, que entra em cartaz nesta terça-feira (19), em São Paulo. Rodrigues conta sobre a carreira e da oportunidade de participar de uma peça de destaque na capital paulista.
Ele também comenta sobre os desafios do teatro neste momento tecnológico e as cenas mais marcantes da carreira.
Confira a entrevista:
– Quando se deu o primeiro alumbramento com o palco?
Aos 11 anos subi pela primeira num palco, no texto ‘O menino do dedo verde’ da Clarice Druom. Foi tão incrível que eu tive a melhor sensação que já pude sentir. Ali eu senti que a arte me tornava uma pessoa plena. Foi paixão, encantamento de início, depois a dura realidade que o artista vive me fez entender que era algo maior. O amor por um ofício.
Também na escola, antes disso, eu já me envolvia nos eventos comemorativos, apresentando trechos de cena, esquetes e encenações de contos.
– Qual cena lhe marcou mais antes de seu início no teatro?
Não me recordo de nenhuma cena marcante antes de fazer teatro. Mas tem muitos espetáculos que foram marcantes, que assisti quando estava começando. Citaria como marcante talvez uma cena que vi do espetáculo ‘Um bonde chamado desejo’ de Tenesse William, que assisti há mais de 20 anos e que a personagem Blache enlouquecia em cena, era forte. A atriz conseguiu enlouquecer sem perder a sutileza e a delicadeza que a personagem tinha desde o início da peça. Fiquei comovido com a ação e hipnotizado com a personagem. O que eu vi não foi uma atriz interpretando uma personagem, o que vi era vivo, era a Blache real.
– Quem se mostrou e se mostra sua maior influência na carreira?
Na verdade eu nunca tive uma influência, isto é, alguém que me influenciou ou que eu tivesse me espelhado no teatro. Tem muitos artistas sérios, que eu admiro, atores incríveis, principalmente muitas atrizes que eu fico impressionado com a força em cena. Sempre que assisto a um bom espetáculo eu me sinto incentivado, com vontade de seguir, de criar, de estar em cena. Como sei que fazer arte é um grande desafio e uma luta diária pra sobreviver disso, e como o ofício do ator é árduo e desafiador, qualquer luz refletiva ajuda a continuar firme. Bom, eu tive contato com a arte bem cedo e até então era a ovelha fora do quadrado da família, o que me fazia sentir ainda mais a solidão de lidar com isso. Sendo assim, eis que de repente surge na família um primo distante que também tinha esse mesmo ofício e que já iniciou com muita exposição em um trabalho na TV. O fato de ter mais alguém que também partilhava, mesmo não o conhecendo direito, do mesmo amor pela arte, fez com que eu me sentisse menos solitário e mais confiante em seguir em frente.
– O teatro tem se reinventado ao longo dos séculos. Quais as tendências para um futuro tão tecnológico?
O teatro se reinventa o tempo todo, está em trânsito. A natureza humana possui as mesmas características de sempre, a palavra sendo a linguagem entre os humanos, a sensibilidade, a dor. Portanto, por mais que a contemporaneidade nos faça avançar e por mais que a arte seja representada ou tratada utilizando os recursos tecnológicos mais avançados, o desafio maior será como transcender através da arte a linguagem da comunicação, a palavra. Hoje o teatro foi ganhando muitos corpos, arrojados, multidimensional, mais a essência será sempre o humano. Acredito que as tecnologias estarão cada vez mais sendo utilizadas nas encenações e muitos corpos serão gerados disso, mas o desafio continuará sendo como transcender a linguagem, o humano.
– Atualmente, você com a peça ‘Levante’, que estreia em São Paulo. Conte um pouco sobre o personagem.
Eu faço o personagem Willy Wonka. O espetáculo aborda o terrorismo que começa nas redes, na internet. O personagem que faço é a manifestação, materialização, de desejos abomináveis, “proibidos” e que nas redes são realizados clandestinamente. Com o Willy Wonka é possível questionar a privacidade de certo modo. Até que ponto estamos “salvos” disso na rede. Até que ponto nossa privacidade é assegurada?
– Quais suas metas para a carreira?
Pretendo continuar trabalhando no teatro, mas também tenho projetos de atuar em cinema. Estudei e continuo estudando cinema também, o que cada vez mais disperta o desejo em mergulhar nesta linguagem.
SERVIÇO
O espetáculo fica em cartaz de 19 de abril a 11 de maio. Terças e quartas às 21h na sede da Cia Club Noir. O teatro fica na rua Augusta, 331, Consolação. O nome do espetáculo é ‘Levante’, com texto de Daniel Graziane e direção de Roberto Alvim. O valor é R$ 20 inteira e R$ 10 a meia. Informações: (12) 2309-7271.
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