“A Cidade e os Nomes” fala sobre o poder de teletransporte da literatura
Como a linguagem inventa cidades que nunca existiram ou te leva para lugares impossíveis


Flim 2017 trata também da literatura e sua capacidade de transpostortar para outros mundos
Divulgação
Em um mundo cada vez mais virtual e compartilhado, a literatura continua um ato solitário profundo. Se de um lado as pessoas clicam com voracidade em links que as levam para um novo mundo em segundos, com os livros a experiência é mais lenta. Será que a literatura ainda tem a capacidade de nos transportar para outros mundos, competindo com o apelo visual instantâneo do mundo moderno?
Para debater, e viajar com a companhia do público, os escritores José Luis Peixoto e Murilo Marcondes de Moura, com mediação de Rita Elisa Seda, vão compor a mesa “A Cidade e os Nomes”, fechando a série de conversas da Flim 2016, às 10h, do dia 18.
“A forma como a literatura se relaciona com os lugares é, no fundo, a forma como nos próprios nos relacionamos com os lugares. A maneira como os lugares nos determinam e, também, como nós os determinamos a eles. A literatura encontra nome para aquilo que ainda não tem nome. Ao fazê-lo, concretiza, dá uma vida diferente ao que antes era abstrato, quase invisível”, comenta José Luis Peixoto, dando início à nossa viagem literária.
Em seu primeiro livro, “Nenhum Olhar”, o escritor português inovou usando uma técnica de texto sem diálogos, uma viagem de imersão que parece distante da realidade de uma cidade. Entretanto, seu nome nesta mesa é quase a peça que faltava no quebra-cabeças.
“Em meu primeiro romance, existe um espaço muito marcante que, no entanto, não tem nome. O meu último romance publicado no Brasil chama-se ‘Galveias’, que é o nome da cidade onde nasci. Entre esses dois livros existe um caminho de aprofundamento desta questão. Nesse caminho, ficam também expostos temas como a vida num lugarejo interiorano e o lugar de cada um de nós na comunidade em que estamos inseridos”, conta.
Se o mundo virtual nos devolve respostas curtas e ás vezes desnecessariamente antipáticas, a literatura te convida para uma transformação em doses mais eficazes. Em vez de escancarar uma fotografia da paisagem, faz você criar o seu horizonte, o que te faz livre.
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