Altino Bondesan, ícone da cultura joseense, completaria 100 anos

Personalidade de múltiplas habilidades e um apaixonado pela cidade

Escrito por: Do Meon4 min de leitura
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Ícone da cultura joseense e personalidade de múltiplas habilidades, Altino Bondesan completaria 100 anos neste domingo (15)

Patrono da Oficina Cultural Altino Bondesan foi advogado, músico, escritor, poeta e jornalista

Pedro Ivo / Meon

Cronista, escritor, advogado e poeta, Altino Bondesan completaria 100 anos neste domingo (15). Apaixonado por São José dos Campos, Bondesan escreveu cinco livros, foi correspondente durante mais de 25 anos do jornal Estado de São Paulo e deixou um legado de entusiasmo e amor pelo conhecimento.

Natural de São Simão, município próximo a Ribeirão Preto, Bondesan aportou em São José em 1935 para tratar uma variação pouco mais branda da tuberculose. Durante sua estadia, que transcorreu em uma das muitas pensões que recebiam enfermos durante o período sanatorial do município, o contato com as belezas da cidade, principalmente com o Banhado – seu cartão postal preferido –, selou um caso de amor que duraria para a vida inteira.

Mesmo internado, o advogado já deixava transparecer uma de suas principais características: a inquietude e a voracidade com que se interessava pelas mais diferentes áreas do conhecimento. Foi esta necessidade de manter-se ocupado que, de acordo com a filha e advogada Ana Bondesan, livrou o pai da doença.

“Enquanto, nos sanatórios, as enfermidades eram o assunto que dominava as conversas do dia a dia, meu pai preferia ocupar-se com tudo o que lhe desafiasse o intelecto. Ele adorava contar histórias dessa época, de como fazia novas amizades e contribuía para a pensão onde estava internado”, comenta.

Bondesan viveu com intensidade a fase de transição da cidade, que, de destino sanatorial, consolidaria-se com potência tecnológica e industrial. Em suas publicações (livros e artigos para o Estadão), o correspondente relatava as mudanças de larga escala do município. É dele, inclusive, o apelido de Capital do Vale, adotado como um dos slogans de São José dos Campos.

Família
Se fora de casa o escritor e advogado mantinha o comportamento curioso e insaciável, com a família não era diferente. Pai de quatro filhos, Altino Bondesan plantou, nos filhos, a mesma sementinha do gosto pelo conhecimento que marcou sua trajetória.

“Em família ele deixou esse legado de manter-se bem-humorado, do apreço pelo conhecimento e pela boa música. Meu pai adorava tocar bandolim e, com o passar dos anos, a música acabou sendo uma característica em comum para todos os filhos. Outra característica interessante eram os livrinhos que ele escrevia para aniversários e outros momentos especiais em família. De edição exclusiva, ele editava, formatava e presenteava os familiares com um exemplar”, explica Ana.

Família que, não fosse uma dívida de bar, talvez não estivesse aqui para contar a história de Altino. Isso porque, o advogado e escritor conheceu Irene Santos, sua esposa, no momento em que foi saudar um débito com o atendente de um clube que funcionava no antigo Cine Paratodos.

“Ele conta que não entraria no clube, mas precisava pagar uma cerveja que estava devendo para o garçom. Lá ele viu minha mãe dançando com o primo dela. Galanteador que só ele, meu pai foi logo conversar com o rapaz que acompanhava a moça na dança. Com o ‘aval’ do primo, meu pai conheceu minha mãe e, desde então, continuaram juntos”, diz Ana.

Oficina Cultural
O empenho com que realizava seu ofício acompanhou Bondesan até os últimos dias de sua vida. Operado de catarata, o advogado driblava as dificuldades de ler os processos com o auxílio de uma lupa. A figura, a lá Sherlock Holmes, cujo característico chapéu ajuda a compor, é um ícone.

O escritor morreu em 2001, mas seu legado continua vivíssimo na Oficina Cultural Altino Bondesan, onde o trabalho de fomento cultural casa perfeitamente com o ideal do joseense de coração.

“De fato, das homenagens que ele recebeu aqui em São José, a da Oficina é certamente a que tem mais a ver com o comportamento dele. Um homem que dedicou-se inteiramente a espalhar conhecimento e que ficaria muito honrado de saber que seu legado está sendo passado adiante pelo trabalho da Oficina Cultural da qual é patrono”, conclui.

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