Amigas se unem em campanha contra assédio no Carnaval de São Luiz
“Apito Contra o Assédio” quer barrar as abordagens grosseiras da festa


Lia Marques, Marina Gabos e Amanda Cursino: unidas contra o desrespeito
Reprodução/Facebook
Preocupadas com o aumento no número de assédios contra as mulheres durante o Carnaval em São Luiz do Paraitinga, as amigas luizenses Lia Marques, Marina Gabos e Amanda Cursino resolveram se unir para criar a campanha Apito Contra o Assédio. Lia é cantora do tradicional Grupo Paranga, enquanto Marina e Amanda são professoras. A proposta é conscientizar as mulheres contra as abordagens abusivas durante a festa.
Funciona assim: ao receber uma cantada que passou dos limites, como um puxão de cabelo ou passada de mão, a foliã apita repetidamente por três vezes. Os salvos do apito funcionam como um sinal de S.O.S para que seguranças e foliões que estiverem passando por perto prestem assistência.
O “apito da vergonha”, como as criadoras nomearam o pedido de socorro, também inibirá a ação do inconveniente, que seria facilmente identificado na multidão. A página que as amigas criaram no Facebook já tem mais de 500 curtidas.
“A maioria das pessoas vêm para cá pela singularidade do nosso carnaval estão interessados na cultura. Mas infelizmente tem aumentado o número de pessoas que desrespeitam nossa festa”, comenta Amanda.
O estopim para a criação da campanha foi uma situação presenciada na madrugada deste sábado (10), durante o Festival de Marchinhas de São Luiz. Da janela da casa de sua avó, Lia ouviu um grupo de três rapazes se dirigirem a uma mulher de forma ameaçadora e desrespeitosa.
“Ela estava na sala quando o grupo disse: ‘você não tem medo de ir embora sozinha?’, em um tom ameaçador. Lia chegou até a fotografar os caras, mas eles já tinham passado e estavam de costas. No outro dia nós nos encontramos e decidimos que era hora de fazer alguma coisa”, explica.
Parcerias
Lançada a campanha no Facebook, agora as amigas vão atrás de patrocínios e parcerias para viabilizarem a empreitada. A ideia é distribuir panfletos e apitos pela cidade durante os cinco dias de festa. O grupo ainda deve contar com a ajuda das bandas e do sistema de som para anunciarem a todo instante a iniciativa. A PM também já foi comunicada.
“Vamos começar a divulgação já no próximo fim de semana, que é o segundo do Festival de Marchinhas. Se as bandas toparem nos ajudar com a divulgação, também será um super apoio. Quanto mais pessoas conseguirmos angariar para a campanha, melhor. Não estamos acostumadas e nem vamos nos acostumar com esse tipo de comportamento em nossas festas”, afirma.
#ApitoContraOAssedio
Publicado por Apito Contra o Assédio em Terça, 12 de janeiro de 2016
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