Anízio da Silva: solidariedade há 34 anos em São José dos Campos
A interação com os moradores é o que alimenta a atitude de Anízio


Anízio José é papai noel há 34 anos em São José dos Campos
Rodrigo Ribeiro/Meon
O aposentado Anízio José da Silva, nasceu em junho de 1928, em São José dos Campos. Em 1960, o joseense deixou a roça e a lavoura no bairro Alto da Ponte, região norte, e foi morar na Vila Industrial, região leste da cidade, bairro que vive até hoje e onde sustentou os oito filhos vendendo peixe, de bicicleta, e trabalhando como zelador.
“Eu saia às 6h da manhã de casa, passava na várzea para pegar folha de lírio que ajuda a manter o peixe fresco, ia até o mercado municipal, comprava direto dos pescadores e vendia tudo na Vila Ema e Jardim Maringá. Voltava no mercadão, comprava mais peixe e ia pra casa, vendendo pela região próximo à Embraer, onde também vendia tudo”, conta Anízio de 86 anos.
Após dois anos vendendo peixe, Anízio recebeu uma proposta de emprego para trabalhar como zelador. “Mas eu falei que só aceitava se fosse no período da tarde, porque de manhã já tinha outro emprego vendendo peixe. O rapaz me perguntou: mas vendendo peixe o senhor consegue cuidar da família? Respondi: antes de vender peixe tinha quatro filhos e hoje tenho oito [risos]”, conta o joseense que conseguiu o emprego.
“Por muitos anos fui vendedor de peixe e zelador, saindo de casa todos os dias às 5h da manhã e voltando às 23h”, diz. Mas não foi como vendedor de peixe e muito menos por ser zelador que Anízio ficou conhecido em alguns bairros da cidade e sim como Papai Noel.
Em 1981, Anízio pensou que poderia fazer algo para alegrar as crianças e sua esposa deu a ideia dele interpretar o personagem símbolo do Natal. “Eu falei: está aí, por que não papai noel, acho que vou gostar. Fomos até uma loja, compramos tecido pra fazer a roupa, peruca e fizemos a barba de algodão. A barba não deu muito certo porque as crianças puxavam e caia tudo [risos], mas no primeiro ano foi um sucesso”, conta.
O joseense teve a ajuda dos familiares que faziam uma carreata, com Anízio em cima da caçamba de um carro, onde jogava balas e pirulitos para as crianças no bairro onde mora. A ideia foi tão bem aceita, que os moradores se reuniram e decidiram ajudar, se responsabilizando pela compra das guloseimas.
“Depois observei que algumas crianças deixavam a bala cair no chão e não pegavam, em dias de chuva poderia prejudicar bueiros, então, pensei em fazer uma embalagem com bala, pirulito e pipoca, os moradores arcavam com as balas e pirulito e eu com a pipoca. Dessa forma, dava o presentinho na mão de cada criança”, conta.
A atitude de Anízio repercutiu na cidade e lhe rendeu convites para fazer o trabalho em outros locais. “Fui convidado para ir na escola Monteiro Lobato, me levaram para outro bairro, faço até hoje nas pastorais da criança e fui até para Santo Antonio do Pinhal como Papai Noel”, conta o joseense que há dois anos também se caracteriza como outro personagem.
“Pensei: faço papai noel há tantos anos e nunca fiz nada no dia das crianças. Então, decidi me fantasiar de palhaço, também pra entregar balas para as crianças. Tenho feito desde o ano passado e tem sido bem legal também”, conta Anízio, que não se limita a interagir apenas com crianças.
“Faço questão de entrar dentro das casas para cumprimentar os velhinhos e doentes, então saio da caçamba do carro e vou até a cama onde a pessoa está. Não ganho dinheiro para ser papai noel e palhaço, mas isso é um compromisso pra mim, nasci pra isso e enche o meu coração de felicidade, fico feliz em fazer algo, essa troca alimenta o meu coração e o deles também. Espero poder continuar fazendo isso até quando Deus permitir, e graças á Ele estou super bem, minha pressão é 12 por 8 [risos]”, conclui.
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