Bolinho de chuva, o sabor do interior no cardápio
A culinária vale-paraibana teve várias influências. Conheça um pouco dessa cultura tão rica e tão próxima


Monteiro Lobato defendia a comida típica como rica e importante para a sobrevivência da comunidade caipira do Vale
Reprodução/Panelinha
A culinária vale-paraibana teve várias influências. Dos povos indígenas, com sua íntima relação dos produtos da terra, como a mandioca e a couve; dos bandeirantes, com suas carnes e gostos pesados; os negros africanos que se viravam com o pouco que era dado, como a farinha de mandioca e o resto de milho dado e, posteriormente, com os imigrantes italianos e japoneses que chegaram para habitar as terras paulistas após a abolição da escravatura.
Entre os pratos típicos da região, está a farofa de içá. No início da primavera, é comum misturarem o abdômen da fêmea do içá frito com farinha de mandioca. Esse prato, comum na comunidade, foi chamado pelo escritor Monteiro Lobato de “o caviar da gente taubateana”. Além do prato, a farinha de mandioca é utilizada para a preparação daquele que talvez seja o prato mais tradicional da culinária da região: o bolinho caipira (ou bolinho mata-fome, como também é citado nas histórias do sítio). Em conjunto com a carne moída, o bolinho, que começou sendo vendido no mercado tropeiro de Taubaté, é hoje uma das principais atrações das festas juninas.
Outro sucesso das festas regionais é a quirerinha, o milho triturado cozido junto com carne de porco. O prato é comum em dias de inverno e os moradores costumam servir junto com o virado de couve, que, mais uma vez, tem como ingrediente a farinha de mandioca. No inverno, também é comum o escaldado, receita que leva produtos fáceis de se encontrar nas antigas hortas das fazendas, como o pimentão, a própria couve, a cebola e cheiro verde. À este prato, acrescenta-se a galinha (muito comum, assim como a carne de porco, por serem animais de criação em sítios) e, como de costume, a mandioca.
Os doces também seguem uma linha histórica. Em sua maioria, doces caseiros e que misturam muitas frutas e outros produtos naturais. É o caso da pamonha, que tem como ingrediente o milho, e a marmelada, doce português de marmelo cozido junto com açúcar que agradou o gosto da região e do sul de minas. O Furrundu é feito de cidra ralada ou de mamão verde ralado com rapadura derretida ou açúcar mascavo.
Item importantíssimo para a formação e desenvolvimento da região do Vale do Paraíba, o café também é muito consumido na região. Nos finais de tarde, ele é servido junto com o bolo de fubá que, por se tratar de um bolo simples, acabou agradando o paladar dos caipiras. O bolinho de chuva, um preparo de trigo, açúcar, leite e fermento passados em açúcar e canela, também é tradicional e, constantemente aparecia nos contos de Lobato.
Para celebrar a rica culinária caipira, o Meon trouxe uma receita de bolinho de chuva para esta tarde:
Ingredientes
2 ovos
2 colheres de açúcar
1 xícara de chá de leite
Trigo para dar ponto
1 colher de sopa de fermento
Açúcar e canela
Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes até ficar uma massa não muito mole, nem tão dura; deixe aquecer uma panela com bastante óleo para que os bolinhos possam boiar; quando estiver bem quente comece a colocar colheradas da massa e abaixe o fogo para que o bolinho não fique crú por dentro; coloque os bolinhos sobre papel absorvente e passe-os no açúcar com canela.
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