Clima de montanha e passeios culturais em Bogotá
Foi Simón Bolívar quem escolheu Bogotá para ser capital da Grã Colômbia, então um vice-reinado cujos domínios abrangiam os atuais Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá. Tal informação serve, primeiro, para começar a entender porque uma semana não será tempo demais na cidade, tal sua diversidade histórica, cultural e sonora.

Foi Simón Bolívar quem escolheu Bogotá para ser capital da Grã Colômbia, então um vice-reinado cujos domínios abrangiam os atuais Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá. Tal informação serve, primeiro, para começar a entender porque uma semana não será tempo demais na cidade, tal sua diversidade histórica, cultural e sonora. Depois, para admirar com olhos atentos o casario espalhado entre ruas e ladeiras que conduzem à imponente Cordilheira Oriental dos Andes.
A cadeia de montanhas que emoldura a cidade serve de referencia geográfica para entender o sistema viário. Complicado para os estrangeiros, mas os gentis bogotanos oferecem milhões de dicas para desvendar endereços. Depois de dois dias, foi assim que interpretei: as grandes avenidas, paralelas à montanha, são as carreras; ruas perpendiculares são as calles. E todas são numeradas.
Portanto, se quiser conhecer o Museo de Trajes Regionales (museodetrajesregionales.com; 3 mil pesos colombianos ou R$ 3,50), por exemplo, o endereço Calle 10#6 significa que você deve ir para a Calle 10, na esquina com a Carrera 6.
O clima de Bogotá é de montanha, com sensação térmica média de 16 graus, faça chuva ou sol. E a altitude, 2.640 metros acima do nível do mar, o que faz dela uma das cidades mais altas da América do Sul, pede adaptação: evite longas caminhadas, ao menos no primeiro dia.
Passo a Passo
Feitas as ressalvas, está tudo pronto para conhecer o centro histórico, cheio de casarões lindos e museus. Escolha hospedar-se no bairro La Candelaria, com muitas opções de casas, pousadas, hotéis e hotéis-butique. Eu escolhi este último tipo, a 200 metros do Museu Botero. O Abadia Colonial tem Wi-Fi incluído na diária (desde 180 mil pesos ou R$ 210, para dois; abadiacolonial.com) e café da manhã na varanda.
São mais de 60 atrações históricas concentradas no bairro, com destaque para os museus. O Botero (banrepcultural org/museo-botero) está na mesma via que a Igreja de La Candelaria. Ao lado das obras do pintor colombiano Fernando Botero, que batiza o museu e ficou conhecido por pintar personagens gordinhos (Monalisa e Pareja Bailando estão lá), há trabalhos de Picasso, Miró e outros mestres. Por ser gratuito, dá para ir lá várias vezes. Foi o que fiz.
Pela Calle 11 chega-se à Praça Simon Bolívar, endereço da belíssima Catedral Primada, e ali mesmo começa a Carrera 7, famosa por ter muitos quilômetros fechados aos carros. Pedestres e ciclistas são bem-vindos – e é possível alugar bicicleta num ponto da avenida e devolvê-la noutro. Lojas do colorido artesanato colombiano, que mistura tecido e couro, são várias. Compre ali as mochilas wavuu, feitas na região litorânea de Guajira, hit entre colombianos.
O Museu do Ouro (banrepcultural.org/museo-del-oro; 3 mil pesos ou R$ 3,50, gratuito aos domingos) é a próxima parada na Carrera 7. Em três andares o visitante faz uma viagem pela trajetória do homem pré-colombiano narrada pelo uso do ouro. Artefatos religiosos e do cotidiano de varias épocas estão no acervo.
Lá no alto
Para vistas panorâmicas da cidade, a opção mais convencional é subir aos 3.152 metros do Cerro Monserrate (cerromonserrate com), que recebe peregrinos no Santuário del Señor Caído, de 1657. A pé, é gratuito. Há teleférico e funicular, a 16.400 pesos ou R$ 20, ida e volta, além de café e restaurante.
Outras formas de ver a cidade do alto: um passeio de ônibus pela Circunvalar, avenida aos pés da montanha; e o mirante do edifício Colpatria (oesta.do/viacolpatria; 4.500 pesos ou R$ 5,20, só aos fins de semana), o prédio mais alto da Colômbia.
Mais uma sugestão: os grupos colombianos Monsieur Periné e Los Atercipleados são ótima trilha sonora para acompanhar os passeios por Bogotá.
No roteiro básico, misto de balada e restaurante
Faz parte do roteiro turistão básico de Bogotá o misto de restaurante e balada Andrés Carne de Rés (andrescarnederes.com). A primeira unidade, lá dos anos 1980, foi aberta na cidade de Chia, nos arredores de Bogotá.
A versão da capital, a Andrés D.C., tem um cardápio de quase 20 páginas cuja grande atração é, adivinha? Carne.
Fora isso, os drinques são imensos, o barulho constante e a decoração, diversão à parte: uma coleção de intervenções de artistas que resultam em quinquilharias penduradas do chão ao teto em todos os quatro andares da casa – tudo está à venda. Turistas são vítimas de performances de artistas logo que identificados. A comida? Boa, sim – e a bagunça toda é divertida
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