Colombiano cria vitrais e encanta igrejas de Taubaté
“Nossa, o Alex é muito bom. Quebraram a cara do nosso São José aqui, pedrada mesmo, e ele restaurou tudo, ficou perfeito”, diz uma das voluntárias da paróquia Santíssima Trindade, em Taubaté.












“Nossa, o Alex é muito bom. Quebraram a cara do nosso São José aqui, pedrada mesmo, e ele restaurou tudo, ficou perfeito”, diz uma das voluntárias da paróquia Santíssima Trindade, em Taubaté.
O elogio é para Alex Almanza, artista plástico colombiano, que há sete anos cria vitrais e mosaicos para igrejas do Vale do Paraíba. Já fez quatro, produziu e restaurou trabalhos da igreja de Sant’Ana, da Sacramentina, da paróquia Vila Aparecida e Vila das Graças.
“Vim para o Brasil há 7 anos porque um amigo colombiano me disse que o ramo religioso aqui é muito forte. Aí vim e fiquei, sempre tem trabalho”, afirma o artista de 35 anos, lembrando que pretende continuar vivendo em Taubaté porque mata a saudade de sua Bogotá de três em três meses.
As obras de Alex mostram imagens de santos, de Jesus Cristo e Nossa Senhora Aparecida, entretanto, a relação com a fé cristã é mais profunda esteticamente, segundo o artista.
“É mais uma leitura de cores, não precisam te dizer que o vermelho do vitral é o vermelho do sangue de Jesus Cristo”, conta. Assim como os significados das cores, outra linguagem explorada por Alex é a iconografia, o estudo de conceitos representados nas imagens.
Concentração
Há 16 anos trabalhando com pintura de vidro, o colombiano também ganha o seu pão com a venda de trabalhos decorativos para interiores de apartamentos e casas. O preço não é dos mais acessíveis -o metro quadrado de vitral custa de R$ 2.500 a R$3.000-, mas é compreensível quando sabe-se que há trabalhos que demoram mais de uma semana para serem feitos artesanalmente.
As peças são modificadas com uma técnica chamada Tiffany, que tem origem no século 20 e é definida pelo uso de vidros coloridos envoltos por fitas de cobre. O vidro passa por três fornadas a 6.000 º C (no forno do ateliê de Alex), passando por mãos de estanho e depois soldadas entre si. Pode-se ver o resultado em vitrais, mas também em abajures, porta-retratos e espelhos.
A crença na religião cristã ajuda no processo criativo de Alex, por meio da oração. “Para conseguir fazer o vitral, preciso me concentrar na obra e faço isso orando. Você esquece de muita coisa, deixa de pensar em todo o resto”.
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