Condephaat aprova tombamento da Companhia Taubaté Industrial

Companhia foi uma das maiores indústrias têxteis do Brasil até os anos 70

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Companhia foi pioneira na industrialização do Vale do Paraíba

Divulgação/Debora Neves

O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Turístico) aprovou por unanimidade o tombamento dos edifícios da Companhia Taubaté Industrial, na cidade de Taubaté.

Fundada em 1891 por Félix Guisard, a Companhia foi pioneira na industrialização do Vale do Paraíba e uma das maiores indústrias têxteis do Brasil até a década de 1970. Os imóveis tombados estão situados à Praça Félix Guisard, 11, 43, 117, 120 e Rua Vicente Costa Braga, s/nº, município de Taubaté. Também foi incluído no processo de tombamento o antigo Edifício Escolar, que fica na Rua Armando Sales de Oliveira, 284.

O parecer aprovado pelo conselho levou em consideração critérios históricos e arquitetônicos para assegurar a proteção deste patrimônio industrial paulista. Entre os aspectos ressaltados estão a exemplaridade dos remanescentes da Companhia, que registra a memória de uma das poucas fábricas de tecidos do Vale do Paraíba, região que ficou muito mais conhecida pela atividade cafeeira que a fabril. O desenvolvimento da Companhia Taubaté Industrial aconteceu em um momento que o café, principal pilar da economia da região, entrou em decadência. A indústria têxtil, então, surgiu como uma alternativa para o Vale do Paraíba.

O estudo foi realizado pela historiadora Deborah Neves, da UPPH (Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico), que ressaltou o pioneirismo da indústria, inovadora no uso de modernas técnicas de gestão empresarial e de pessoas. Segundo Neves, diferentemente dos percursos hegemônicos da industrialização paulista, a Companhia Taubaté Industrial nasceu de uma sociedade de cotas, com a marca da família Guisard. “Esse tipo de gestão não era comum naquela época, pois a maioria das indústrias têxteis nasceu como empresas familiares”, explica Neves.

Além disso, os prédios da Companhia também possuem particularidades na interferência do espaço urbano. “A forma como a fábrica foi construída, assumindo uma forma radial, quase que em círculo, tinha a ver com a racionalidade da produção da fabrica, e não é uma paisagem muito comum para esse tipo de empreendimento”, afirma a historiadora.

Segundo ela toda aquela região era uma zona rural de Taubaté, sendo o Sr. Guisard criador do bairro na região com a construção de uma vila operária, um estádio de futebol, posto de saúde e também sua própria residência. Com o passar dos anos, a cidade foi avançando e alcançado a região.

Após o fechamento da fábrica, os galpões onde funcionava a produção têxtil tiveram várias finalidades. Atualmente, os prédios sediam a faculdade de Arquitetura da Unitau e alguns setores da administração da Prefeitura de Taubaté.

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