Conheça a Chef que largou o trabalho formal para fazer cupcakes

Erica Monqueiro deixou a roupa formal e o escritório para se dedicar à sua paixão de infância: a gastronomia. Hoje ela divide seu tempo entre doces, bolos e tortas que prepara sob encomenda para festas e casamentos. A chef, que afirma gostar do bom e tradicional arroz, feijão e bife, conversou com o Meon e deu dicas de como ter uma horta em casa – ela mora em apartamento e mesmo assim não abre mão da produção caseira, sobre sua paixão pela gastronomia e sobre comida gourmet.

Escrito por: Lenise Medeiros6 min de leitura
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Érica gosta mesmo é do tradicional

Arquivo Pessoal/Erica Monquero

Erica Monquero deixou a roupa formal e o escritório para se dedicar à sua paixão de infância: a gastronomia. Hoje ela divide seu tempo entre doces, bolos e tortas que prepara sob encomenda para festas e casamentos.

A chef, que afirma gostar do bom e tradicional arroz, feijão e bife, conversou com o Meon, deu dicas de como ter uma horta em casa – ela mora em apartamento e mesmo assim não abre mão da produção caseira e falou sobre sua paixão pela gastronomia e sobre comida gourmet.

Você sempre gostou de cozinhar? 
Eu sempre gostei de cozinhar. Quando criança eu gostava de fazer bolos, ajudar minha mãe na cozinha e assistir programas de receitas. Gostava de folhar os livros de receitas da minha mãe para ver as fotografias dos pratos. Achava mágico juntar vários ingredientes tão diferentes e, de repente, um prato começar a surgir com aromas, cores e sabores incríveis.

O que te influenciou?
Eu tive duas avós que sempre cozinharam muitíssimo bem. Além delas, minha mãe e tias maternas também cozinham muito bem. Todas elas sempre me inspiraram.

Cresci aprendendo a comer e a fazer uma sopa de macarrão com feijão da avó paterna que nunca mais faltou em casa. Cresci vendo a mesma avó fazer omelete com cheiro-verde que ela pedia para eu colher no quintal na hora. Imagine o aroma???

Já, com minha avó materna aprendi a gostar de alguns pratos mais pesados como arroz com suã, leitoa à pururuca, feijoada e por aí vai. Aprendi também a usar farinha de milho, cambuquira que é o broto e flor da abóbora, além de ter crescido observando ela colher hortaliças fresquinhas na horta e levando à mesa.
Depois, já adulta, trabalhei em hotelaria e me interessava ver como os pratos eram feitos e decorados. Aprendi a degustar para sentir os sabores, aromas e texturas. Sempre fui curiosa e acabava perguntando tudo aos colegas que trabalhavam na cozinha. Chegava em casa e tentava reproduzir a receita.

Quando você resolveu deixar de lado a sua carreira em recursos humanos para se dedicar exclusivamente à gastronomia? 
Minha carreira é meio maluca! Vou explicar de forma resumida: minha graduação é em Comunicação Social – Jornalismo, embora nunca tenha trabalhado na área. Trabalhei por quase 12 anos dentro da Hotelaria. A área que mais gostava na hotelaria era Gestão de Pessoas e Recursos Humanos; gostava de recrutamento e seleção, fazer aconselhamento de carreira, treinamentos e desenvolver pessoas. Assim, resolvi sair da Hotelaria para trabalhar somente com Gestão de Pessoas e comecei a investir nessa área. Concluí duas pós-graduações: um MBA em Gestão de Recursos Humanos e um MBA em Administração e Gestão do Conhecimento. Até comecei uma terceira pós-graduação em Psicologia do Trabalho, mas acabei trancando para me dedicar à Gastronomia.

Em outubro do ano passado, a empresa na qual eu trabalhava passou por uma crise financeira muito grave e algumas pessoas tiveram que ser demitidas. Eu acabei saindo, sofri muito e continuei na busca por um emprego nesta área. Entretanto, o mercado de trabalho no Vale do Paraíba é bem concorrido e, por isso, os salários oferecidos estão bem baixos.

Enquanto isso, eu já tinha o blog sobre comida que nasceu em 2010. Meus amigos sempre me falavam: você tem que trabalhar com comida; você cozinha bem, invista nisso. Mas eu relutava, pois enxergava tudo isso apenas como um hobbie.

Certo dia eu comprei uma daquelas máquinas de fazer mini cupcake, fiz alguns e postei foto no Facebook com o seguinte comentário meio que brincando: “Aceito encomendas… rsrsrs”. E as encomendas começaram a aparecer! De um em um o negócio foi crescendo e surgiu a Mimos e Gostosuras por Erica Monquero. Não quero mais saber de outra vida; estou completamente realizada profissionalmente e pessoalmente. Não me vejo mais trabalhando em empresas. Troquei a roupa social por dólmã e avental; a escova no cabelo por touca de confeiteiro, as unhas longas e pintadas por curtíssimas e sem esmaltes, o salto alto por sapatos profissionais de cozinheiros. Além disso, tenho mais qualidade de vida: trabalho menos e em casa, faço o que gosto e financeiramente é muito melhor também.

Você testa todas as receitas que posta no blog?
Sim, todas as receitas são testadas ou por mim ou pelos colegas que também cozinham. Da mesma forma, as fotos são todas reais: ou minhas ou dos visitantes que testam as receitas. Tudo precisa ser muito real para ter credibilidade. Nada é simplesmente copiado e postado. No blog há um espaço chamado “tem visita na cozinha” que é justamente para que os amigos que gostam da arte possam ter suas receitas e fotos postadas.

O que você mais gosta de preparar?
Eu gosto mesmo é de preparar uma boa comida caseira com sustância como um arroz com suã, uma galinhada, uma paella caipira, uma feijoada. Meu marido diz que faço o melhor bife do mundo! Gosto de grelhar um bom bife grosso de contra-filé com temperos simples para se comer com uma massa na manteiga ou uma batata assada. O simples é sempre mais gostoso!

Você diz em seu blog que têm uma horta em casa. O que você indica para quem quer começar uma horta em casa?
Eu moro em apartamento e o único espaço que eu tenho é a sacada. Montei uma horta em vasos. Precisei reduzir a horta por falta de espaço, mas ela já ocupou a sacada quase que inteira. Recomendo que as pessoas comecem com até dois vasos em forma de floreira, daqueles mais compridos e iniciem plantando ervas como cebolinha, salsinha, alecrim, manjericão que são mais fáceis de cuidar e dão resultado logo. Depois, pode partir para o plantio de tomate cereja, algumas hortaliças, e por aí vai. O mais gostoso é a colheita!

Qual sua gastronomia favorita?
A minha favorita é a brasileira e depois, a francesa. Os franceses já nasceram com o dom de cozinhar, de combinar ingredientes, de servir um prato bonito. Temos a ilusão de que o sofisticado é caro, mas nem sempre é assim. Um boeuf bourguignon, por exemplo: é uma carne em cubos cozida no vinho tinto com alguns legumes. O nome é chiquérrimo, mas é só pegar uma receita, seguir os passos e um delicioso prato nasce. É como um artesanato, só que de comer!

Para quem gostou do trabalho da Chef, é só acompanhar suas dicas gastronômicas em seu O que faço para a Janta? ou pela sua página no Facebook.

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