Conheça grupo que vêm movimentando o cenário cultural joseense

Com quase mil curtidas na sua página no facebook e 37mil visualizações no facebook, o coletivo MUDA (Movimento Urbano de Debate e Ação) tem movimentado o cenário cultural joseense. O Meon bateu um papo com eles para saber sobre os projetos antigos e o futuro do grupo.

Escrito por: São José dos Campos7 min de leitura
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Com quase mil curtidas em sua página no Facebook, o coletivo joseense Muda (Movimento urbano de debate e ação) não planeja descansar. A cada semana, um novo evento, um novo vídeo e uma nova forma de intercâmbio cultural são inventados pelo grupo.

Seja com uma simples exibição de filme na praça, uma troca de vinis em um canto da cidade ou uma aula de música para crianças carentes, o movimento tem balançado a vida cultural da região –vide as mais de 37 mil visualizações do curta “Primeiro Beijo”, o projeto de estreia do coletivo e as várias edições do OpenAir São José -exibições cinematográficas em praças da cidade.

Meon conversou com o produtor audiovisual Marcelo Lira, dono da produtora Lira e responsável pelos curtas do grupo para o Youtube, e com os integrantes do MUDA para saber um pouco mais sobre como surgiu, quais as propostas e quais os projetos futuros do coletivo.

Como surgiu o movimento?
Durante as manifestações de junho, um grupo de ativistas sentia necessidade de atuar de forma mais criativa, coletiva e humanizada. A partir de encontros casuais foram traçadas as primeiras ações. O nome Muda veio logo a seguir, sintetizando o que estávamos nos propondo a fazer. Sempre nos encontramos para debater e construir uma ação prática a partir de temas diversos, mas sempre com o objetivo de mudar algo que consideramos positivo para o contexto social, cultural ou político. Tudo o que a gente faz no MUDA são coisas que já fizemos a vida inteira, mas aqui fazemos juntos e debatemos sobre, ampliando as nossas percepções individuais.

Qual a proposta do coletivo?
O Muda é um coletivo agregador a serviço da mudança. Todos os grupos e indivíduos dispostos a construir a mudança são bem-vindos, desde que tenham disposição pra plantar ações, regá-las com amplos debates e paciência pra ver o Muda brotar. Pessoas que não queiram permanecer mudas. É um movimento disposto a fazer diferente, pra então produzir a (r)evolução. Pretendemos nos mover, debater e agir de forma a ocupar os espaços públicos, baseados na premissa de que a cidade é nossa, e por nós deve ser ocupada, refletida e transformada.

O vídeo de maior audiência de vocês foi “Primeiro Beijo”. Vocês imaginavam essa repercussão?
Os vídeos na verdade, não são o centro das ações. São uma ferramenta de transformação onde aplicamos linguagens com o objetivo de gerar reflexão e atrair pessoas em sintonia com a nossa percepção de mundo e dispostas a se juntar a nossa linha de ação. O sucesso do “Primeiro Beijo” foi observado no dia, frente a extrema reação positiva de todos os participantes. Muitos deles fizeram parte de todas as ações posteriores do MUDA. Por outro lado, a repercussão online era esperada, mas tinha mais o intuito de ampliar o debate sobre questões como a liberdade de sentir e experimentar a vida e o outro sem preconceitos.

Vocês pretendem fazer outros “Festivais de música de banheiro”? Quais bandas estão nos planos?
Agora queremos fazer um festival de música dentro de uma Kombi. As bandas são surpresa, aguardem! O próximo passo, não menos importante, será uma mostra de rap que faremos na quadra da comunidade do Banhado, trazendo nomes expressivos do cenário nacional pra ajudar a fortalecer a população do Jardim Nova Esperança.

No vídeo “Seu melhor”, vocês entregam mudas para as pessoas no semáforo. Em geral, a maioria das pessoas aceitou ou recusou o gesto?
Pra nossa surpresa, muita gente recusou as mudas de flor. Cremos que isso seja fruto de um momento social mais embrutecido. As pessoas estão muito céticas e defensivas umas com as outras, o que só reforça a ideia de que precisamos de movimentos por mais serenidade e solidariedade. O próprio nome do projeto “Seu Melhor” procura refletir sobre o que temos de melhor, e quanto estamos dispostos a ser a melhor versão de nós mesmo, durante o nosso cotidiano, que é onde a maior parte da vida acontece.

Vocês realizam muitos encontros com música, como por exemplo o Bailinho Vinil e a Oficina de Música. Vocês acham que a música é a melhor maneira de unir as pessoas?
A música é um dos meios das pessoas se conectarem. As pessoas se encontram muito, mas isso não tem representado nenhuma forma de união. Entre em qualquer ônibus ou shopping e você verá uma multidão de pessoas juntas mas completamente separadas. Agora, se entrarmos nesse ônibus com um violão e um tambor, o que se vê é uma proliferação de sorrisos de cumplicidade. Mas nós usamos as mais diversas ferramentas de união, não só a música. Um abraço é uma excelente ferramenta pra gerar união. Na verdade não é o que, é o como, afinal uma música pode ser usada de forma extremamente vazia, tanto quanto um abraço. Mas o “como” fazemos isso. Toda a paixão que aplicamos em cada ação torna todas as propostas em potenciais ferramentas pra gerar o máximo de união real entre as pessoas que estão ali naquele momento.

Como vocês avaliam a cultura joseense hoje? Existe um maior envolvimento dos moradores com a cultura produzida na região?
Em São José nós vivemos essa ditadura de “polo tecnológico”. Isso torna muitos artistas locais verdadeiros exilados, morando em São Paulo ou em outros lugares do Brasil e do mundo em busca de algum apoio pra sua arte. Isso é uma das dificuldades pra se consolidar uma cena local. Mas como a flor que nasce no asfalto, no poema de Drummond, muitos núcleos independentes tem surgido em São José. Núcleos ligados à difusão de poesia, núcleos com bandas de rock independentes, hip-hop e os mais diversos estilos, grupos de teatro de resistência, etc. Cremos que isso evidência que não tem como represar o desejo das pessoas de ser humanas. Funciona por um tempo mas, mais hora ou menos hora, acontece isso que está acontecendo. Tem um “boom” na presença de público em shows locais, intervenções como o OpenAir São José (projeto independente de cinema em praças) e até mesmo uma grande quantidade de pessoas que simplesmente juntam os amigos e criam um “rolê”. Resumindo, acreditamos que o cenário está extremamente positivo, mas isso está sendo construído “apesar” das instituições.

Quais são as maiores dificuldades que o MUDA encontra atualmente?
Nenhuma dificuldade. As ações são deliciosas de se fazer. O tempo vai trazer os resultados. Cada dia mais gente linda tem surgido e se conectado a esse grande coletivo. As dificuldades são as sociais, mais propriamente. O mundo está realmente em um caminho estranho. Pessoas recusam flores. Tiram comunidades históricas para passar avenidas que não atendem a quase ninguém. A agressividade segue sendo parte do cotidiano. Enfim, enquanto existirem seres expostos a isso, sentimos que é tudo difícil mas, enquanto houverem pessoas que conseguiram se juntar pra confrontar essa dificuldade coletivamente, não tem como pensar em algo que seja difícil ou impossível, afinal qualquer sonho que se sonhe junto, se torna inevitavelmente realidade.

Quais são os planos a curto prazo do coletivo?
Apoiar a população do Banhado em tudo o que eles precisarem. Afinal, eles estão sendo coagidos a sair de lá de maneira truculenta pelo poder público, são vistos de forma distorcida por quase toda a população e precisam de todo o apoio que conseguirmos. Não tem como querer um mundo melhor sem buscar o fim dessas atrocidades realizadas em nome de um suposto progresso. Fora do Banhado temos um projeto de um festival de ocupações criativas do espaço público com uma semana de atividades novas como o festival de música dentro da Kombi ou o Boteco de Rua. Em vídeo, continuamos o projeto do seu melhor, sempre que podemos gravamos um pouco em algum semáforo e em breve lançaremos o vídeo viral dessa ação.

Abaixo, assista ao vídeo “seu melhor”:

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