Cuidado com as neuras alimentares

Antes de escrever este post, pensei em quantas meninas entram em blogs como o Vida Fit atrás de respostas para uma maneira completamente distorcida de encarar a comida. Todos os dias, ao fazer minhas escolhas antes das refeições, eu mesma me lembro de todas as razões que me trouxeram até aqui, de fatos dos quais realmente não me orgulho, mas que fazem parte de mim e que me tornaram mais forte.

Escrito por: Bianca Camargo4 min de leitura
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boca fechada

Até sem saber, muitas meninas têm distúrbios alimentares

Canstockphoto/divulgação

Antes de escrever este post, pensei em quantas meninas entram em blogs como o Vida Fit atrás de respostas para uma maneira completamente distorcida de encarar a comida. Todos os dias, ao fazer minhas escolhas antes das refeições, eu mesma me lembro de todas as razões que me trouxeram até aqui, de fatos dos quais realmente não me orgulho, mas que fazem parte de mim e que me tornaram mais forte. Por isso, sei da importância de abordar esse lado não tão bonito da história, que ninguém fotografa para o Instagram, que não aparece nos sorrisos estampados em rostos que desfilam corpos perfeitos.

Não tenho essa estatística, mas chutando baixo, diria que metade das nossas leitoras possuem algum tipo de distúrbio alimentar. Eu mesma luto contra alguns, terapia e tudo. Sei que é muito difícil encontrar seu equilíbrio no meio de tantos apelos da propaganda, das padarias no caminho para o trabalho, dos happy hours com os amigos, os almoços em família e todas as comemorações regadas a bebida e comida à vontade. Mas é possível. Precisa de força de vontade e autocontrole, mas ao longo deste processo, você cresce, conhece a si mesma e retoma o controle sobre seus desejos e necessidades.

E se houve um aprendizado que tive durante a minha caminhada foi que os pensamentos mais absurdos que uma pessoa com compulsão alimentar, bulimia ou anorexia tem são todos compartilhados. Li um livro sobre o assunto um tempo atrás e a cada página, eu me assustava com a impressão de que a autora estava dentro da minha cabeça. Portanto, vou compartilhar com vocês algumas táticas que me ensinaram e que eu desenvolvi para minimizar as causas que te levam para as práticas extremas quando o assunto é comida.

Primeiro tabu: comer não faz mal pra você.

Compulsão alimentar | Vida FitPare para pensar: há quanto tempo você faz dieta? Eu me lembro de estar controlando o que ingeria desde sempre, pelo menos desde meus 12 anos. Em algumas épocas, com menos afinco, em outras obcessivamente, mas o regime rondava a mesa o tempo todo.

Alimentos integrais, desnatados, queijo magro, tudo sem sal, sem gosto, sem apelo. Era assim que eu deveria comer se quisesse ser magra. E isso é chato pra caramba. Eu queria bolacha recheada, creme de leite no molho, chocolate. Oras, que injustiça isso de ter que me contentar em ser feliz OU comendo e sendo gorda OU passando vontade e sendo magra!

Coma de três em três horas. Não beba líquido durante as refeições. Coma linhaça, chia, quinoa, farelo de trigo, aveia, queijo cottage. Não coma gordura. Faça isso, não faça aquilo! GENTE! Precisam inventar um prêmio Nobel para quem consegue abrir um pote de castanha e comer só duas, como manda o cardápio NONSENSE da nutricionista.

Longe de mim desvalorizar o trabalho de profissionais tão importantes para nossa saúde e bem-estar, não é isso. Mas se nós não estivéssemos tão soterrados de regras e tentações, talvez fosse mais fácil ouvir os sinais do seu próprio corpo pedindo alimento.

Comer é tão natural quanto respirar, ir ao banheiro, piscar e realizar tantas outras funções vitais. Pense em quanto o seu corpo trabalha, em como ele faz tudo corretamente, na perfeição de um organismo saudável. A natureza é muito mais esperta do que nós – ela nos trouxe até aqui através dos séculos e eu não duvido que a única razão para tantas doenças metabólicas somos nós mesmos.

Então, hoje, quero que você reflita sobre o que você comeria agora, algo que tenha privado de sua vida em nome da dieta. Eu me jogaria num balde de açaí com leite ninho. Provavelmente conseguiria comer açaí com leite ninho no café da manhã, no almoço e no jantar por dias a fio. Engordaria uns quilos, suponho. Mas não dá pra comer só isso pro resto da vida. Meu corpo logo estaria suplicando por uma salada de alface, rúcula, tomate, cebola, chuchu, abóbora, mandioca, ovo de codorna. Porque ele sabe o que é bom pra mim. O seu corpo sabe o que é bom pra você. Que tal dar a ele a chance de dizer o que anda faltando?

Confie em si mesma. Confie na capacidade do seu corpo, esse que te carrega para cima e para baixo todos os dias, lhe enviar os sinais que ele foi programado para emitir sobre sentir fome e escolher seus alimentos. Talvez essa seja o primeiro passo na sua libertação das dietas… E viver com essa liberdade, minha linda, não tem preço.

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