De canoa ou no lombo do búfalo para desbravar a quentura de Soure

Praia do Pesqueiro, Soure Diego Moura/Estadão Conteúdo Em Belém, um paraense que sabe das coisas alertou: “o Pará tem duas estações no ano, a que chove todo dia e a que chove o dia todo”. Pois armava-se uma tempestade sobre nosso barco enquanto costeávamos a capital paraense ao som do carimbó, ritmo tradicional da região […]

Escrito por: Diego Moura4 min de leitura
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Praia do Pesqueiro, Sour (Diego Moura/Estadão Conteúdo)

Praia do Pesqueiro, Soure

Diego Moura/Estadão Conteúdo

Em Belém, um paraense que sabe das coisas alertou: “o Pará tem duas estações no ano, a que chove todo dia e a que chove o dia todo”. Pois armava-se uma tempestade sobre nosso barco enquanto costeávamos a capital paraense ao som do carimbó, ritmo tradicional da região que lembra a banda Calypso (o calipso, aliás, é um gênero musical do Pará). Em resumo: o período menos molhado para visitar o Estado é entre julho e novembro. De janeiro em diante, a água corre solta.

Cheguei a Soure na transição de outubro para novembro, com calor sufocante e chuva zero. A cidade tem cerca de 20 hospedagens, do Hotel Ilha, com piscina, Wi-Fi e jeitão mais urbano (R$ 500 por pessoa para 2 dias e 1 noite; iaraturismo.com.br), à Pousada Maruanases, na Fazenda Araruna, onde ficamos hospedados. Nossos vizinhos eram três araras barulhentas, dezenas de búfalos e bois, galinhas e galos ciscando. Dona Nilda, a anfitriã, ofereceu café da manhã com sucos de frutas típicas do Pará (bacuri, taperebá), bolo de fubá quentinho e manteiga de búfala. O chuveiro elétrico quase não faz falta. Diárias para casal desde R$ 150; pousadamaruanases.com.br.

Depois de atravessarmos o Rio Paracauari de balsa, nossa primeira escala foi a Fazenda São Jerônimo, onde dona Jerônima e seu Raimundo Brito, os proprietários, vieram nos receber com bolo de macaxeira, queijo e doce de leite de búfala. A dez minutos do centro de Soure, além de hospedagem, o local oferece passeios de canoa, trilhas e cavalgada em búfalos. Pela Boeing Turismo (boeingonline.com. br), R$ 690 por pessoa, incluindo a travessia de barco de Belém a Marajó, hospedagem por dois dias e uma noite e três passeios, sem alimentação.

Símbolos
Uma passarela com mais de um quilômetro por entre raízes aéreas do manguezal e árvores de 40 metros de altura leva à Praia do Goiabal, dentro da Fazenda São Jerônimo. No local, deserto, só se ouvem os sons do vento forte e das ondas quebrando.

É lá que temos o primeiro contato com os búfalos, sob a supervisão de vaqueiros que amansam os bichos. Quer subir no lombo de um deles e tirar foto? Dá. Fazer uma trilha de 20 minutos cavalgando? Pode ser. E nadar com ele? Se você tiver coragem, é plausível, desde que a maré autorize. Tudo na Ilha de Marajó depende das marés.

Tudo Mesmo
Na praia, podemos cruzar a Boca da Glória, braço de rio que vai dar na Baía de Marajó, montados no búfalo, que vai nadando, sem colocar as patas no chão. Sem sela, você se agarra no lombo e vai com fé. Eles seguem o líder, um simpático búfalo chamado Louro José: se ele andar, todos andam; se parar, todos param; se ele te derrubar, bem, aí, foi azar.

Também é possível navegar em canoa nos rios e riachos dentro da São Jerônimo. Ao som dos remos batendo na água, observe tucanos, saguis, pica-paus e guarás, pássaro vermelho da região.

Muito extremo? Ficar largado à beira-mar, comendo uma porção de caranguejo toc-toc e bebendo uma Cerpa (a cerveja regional) também é possível. A Praia do Pesqueiro oferece tudo o que tem numa praia paulista ou do Rio de Janeiro pela metade do preço (que tal pagar R$ 2 por uma água de coco?).

O guia Robson Espírito Santo Lima explica que Pesqueiro e Barra Velha têm estruturas turísticas sedimentadas e esportes de vento, como o kitesurfe, em desenvolvimento. Já as praias de Araruna, do Céu e Cajuuna são vilas de pescadores, sem quiosque ou restaurante. “O cara quando tá aventureiro aluga uma moto e sai por dentro da fazenda, mas aí tem que levar tudo, água, comida.”

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