De pai para filho

O designer Zanini de Zanine comenta a reedição de móveis de seu pai José de Zanine Caldas, que ele acaba de conduzir para a Dpot

Escrito por: Marcelo Lima3 min de leitura
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Poltrona de José Zanine Caldas reeditada pela Dpot Foto: divulgação.

Poltrona de José Zanine Caldas reeditada pela Dpot

Divulgação

Arquiteto, designer e precursor da indústria moveleira no Brasil, José Zanine Caldas se destaca no cenário arquitetônico nacional por sua habilidade ímpar em explorar as potencialidades construtivas e plásticas da madeiras, tanto na construção civil quanto no design de mobiliário. Legítimo herdeiro de seu legado, seu filho, o designer Zanini de Zanine divide com o pai o mesmo entusiasmo pela matéria-prima. “O que une o design de hoje ao criado nas décadas de 1950 e 1960 é o calor, o uso contínuo da madeira”, afirma ele, que acaba de concretizar um acalentado sonho: editar peças ícones do mobiliário desenhadas por Caldas e produzidas industrialmente. Reeditados pela Dpot e com lançamento programado para São Paulo – além de Estados Unidos e Europa -, os móveis foram apresentados no Rio no início do mês e começam a chegar à lojas de todos o País a partir desta semana, como adiantou o designer nesta entrevista exclusiva ao Casa, do jornal O Estado de S. Paulo.

O designer Zanini de Zanine (Divulgação)

O designer Zanini de Zanine

Divulgação

Como surgiu a coleção?
Basicamente do desejo da família de propagar a qualidade estética do trabalho de nosso pai, recolocando no mercado móveis desenhados durante os anos 50, quando ele esteve à frente da fábrica de móveis Z, baseada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Uma fase na qual ele estava interessado em produzir móveis em larga escala, de bom desenho e a preços acessíveis, com base no uso racional da madeira, evitando o desperdício do material. Começamos com seis modelos, entre poltronas, mesas de centro e lateral e revisteiro, todos produzidos com freijó maciço, estofado e compensado. Mas nada impede que a coleção cresça.

Como se deu o desenvolvimento das peças?
O acesso a alguns modelos foi um fator determinante. Eles já compunham o acervo da galeria carioca Mercado Moderno, que gentilmente nos cedeu as peças para a iniciativa. Depois, partimos para o levantamento de dados, escolha dos materiais, prototipagem e produção, em um processo que consumiu um ano.

Enquanto designer, como você avalia a importância dessa reedição?
Essas peças são registros vivos de um dos mais importantes capítulos da história do móvel brasileiro, os anos 50, quando as primeiras indústrias moveleiras foram instaladas e, nesse sentido, meu pai foi um pioneiro no setor. Ocorre que, enquanto elas foram desenhadas dentro de uma lógica industrial, ele só se tornou mais conhecido a partir da década de 1970, quando passou a esculpir seus móveis artesanalmente, sendo essa a produção que ainda hoje permanece mais associada a ele. Existe, portanto, essa perspectiva histórica, esse testemunho de época. Porém, para além dele, o apelo estético desses móveis é impressionante. Eles são de uma personalidade e elegância genuínas. Ninguém consegue ficar indiferente.

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