Delicado equilíbrio nos ambientes
Tudo começou com a decoração dos interiores do apartamento paulistano do casal, executado a quatro mãos com o sócio Gilberto Cioni. Depois, chegou a vez de reformar a antiga residência de veraneio da família, situada não muito longe da mais nova menina dos olhos da dupla: esta casa de 800 m², construída no município de Piracaia, à beira da represa de mesmo nome – ou do que restou dela, depois da estiagem prolongada que castiga o Estado.


Após a reforma, a residência ficou com ambientes amplos e bem equilibrados
Divulgação/ Agência Estado
Tudo começou com a decoração dos interiores do apartamento paulistano do casal, executado a quatro mãos com o sócio Gilberto Cioni. Depois, chegou a vez de reformar a antiga residência de veraneio da família, situada não muito longe da mais nova menina dos olhos da dupla: esta casa de 800 m², construída no município de Piracaia, à beira da represa de mesmo nome – ou do que restou dela, depois da estiagem prolongada que castiga o Estado.
“Uma relação de longa data como a nossa, afina a sintonia com o cliente. Neste projeto, sabia exatamente o que ele procurava”, afirma o arquiteto Olegário de Sá, que, partindo do zero -e por determinação expressa do proprietário -, concebeu esta casa com alma de campo, mas feições contemporâneas. “Nisso ele foi bem claro: nada de telhados inclinados ou tijolos aparentes”, conta.
Outra exigência, a casa deveria estar dividida em dois setores independentes. Um dedicado à família, com áreas íntima e social turbinadas. O outro, que poderia estar em uso ou permanecer fechado durante parte do ano, seria inteiramente dedicado a abrigar os eventuais hóspedes. Um programa que, por sorte, se casava perfeitamente com a ocupação imaginada pelo arquiteto.
“Desde o início, me preocupei em minimizar o impacto da construção sobre a paisagem, procurando integrar a casa a seu terreno e a seu entorno”, explica Sá, que optou por desenvolver seu projeto em dois níveis: o térreo, concentrando, além de quatro suítes, as instalações de uso permanente; e o subsolo, onde se distribuem três dormitórios destinadas a receber os convidados.
Em todos eles, além da plena visualização da paisagem – viabilizada pela adoção de amplos painéis de vidro -, o fácil acesso dos moradores às dependências de lazer foi outro objetivo perseguido pelo arquiteto. Feitas as contas, somando a sala de jogos, a varanda gourmet e a sala ao ar livre, quase metade da área construída foi dedicada ao lazer, coletivo ou individual.
“A elevada declividade – cerca de 40 m, entre o ponto mais alto e o mais baixo – praticamente me permitiu encaixar a construção dentro do terreno, proporcionando maior privacidade para a família e seus amigos”, comenta o arquiteto, que, firmemente imbuído da ideia de camuflar ainda mais a casa na paisagem, caprichou na escolha dos revestimentos.
Ao lado da madeira de demolição – presente em todos os interiores, detalhes estruturais e na pérgola que percorre á área externa – a pedra rachão, extraída e instalada por artesãos locais, foi escolhida para revestir dois dos volumes que pontuam a construção.
“São elementos que interferem na paisagem. Era fundamental dar a eles uma feição mais natural. Estabelecer uma espécie de continuidade”, diz ele, que não pensou duas vezes em pintar todas as esquadrias de alumínio em tonalidade próxima à do aço corten, para evitar contrastes mais pronunciados.
Construção
A obra acabou por consumiu quase um ano e meio. Mas encantou os proprietários e seus muitos hóspedes. Todos unânimes em pontuar a leveza e o frescor que emanam da construção, obtido muito em função da generosa piscina de borda infinita, revestida de azul profundo, que se projeta frente a represa, ao longe.
“Com volume pronunciado e três paredes de transbordo (como são chamadas as laterais por onde a água escorre antes de alcançar o piso), ela funciona como uma escultura, além de ajudar a refrescar a casa nos dias mais quentes”, explica Sá.
Sempre contemporâneo, o cliente chegou a cogitar uma escada de concreto para ligar o gramado ao primeiro pavimento da obra, mas foi devidamente dissuadido pelo arquiteto a mudar de ideia. “Ele não imaginava ser possível, mas hoje diz adorar percorrer um a um os degraus construídos com bem mais acolhedores dormentes de madeira,” afirma ele.
Posts Relacionados

Bienal Literária de Taubaté recebe inscrições de escritores e editoras até 24 de outubro


Fundação Cultural de São José disponibiliza guia online com programação de setembro
