Desce mais uma rodada: hoje é o Dia do Garçom!
Saiba como é o cotidiano daqueles que fazem muito mais do que servir mesas


Profissão exige bom humor, descrição e uma pitada de psicologia de balcão
Divulgação
Ele conhece sua dose preferida, o ponto certo da cerveja que você gosta de tomar enquanto afrouxa a gravata após uma jornada puxada. Ostenta sorriso hospitaleiro nos dias de festa e semblante cúmplice nas horas de tristeza.
Pois nesta terça-feira (11), é dia de oferecer um brinde ao psicólogo do balcão. É dia do garçom! Do comandante, capitão, tio, brother, camarada. Do chefia, amigão, que capricha no “chorinho”, que separa aquela mesa especial e jamais te deixa na mão.
Ser garçom é testemunhar a história. Não aquela estampada nos livros didáticos. Mas a história das pessoas comuns. Escrita por comemorações de uma reunião familiar, pela palpitação de um primeiro encontro ou pela exaltação durante uma partida de futebol.
No restaurante Vila Velha, em São José dos Campos, há 40 anos o garçom mais antigo da cidade, Sebastião Ozório de Oliveira, o Guaxupé, repete uma fórmula de sucesso que nunca fica ultrapassada: simpatia, ótimo atendimento e amor pelo que faz.
“Ninguém quer um garçom carrancudo. Quando as pessoas chegam na casa, querem encontrar com uma pessoa de bem com a vida, que faça o cliente sentir-se especial, que ofereça bons conselhos do cardápio”,afirma o garçom de 63 anos.
Os anos de experiência lhe trouxeram muitos “causos” e alguns calos na bagagem, frutos de tombos dos quais nem os profissionais mais experientes estão a salvo de sofrer.
“Antigamente a sola do sapato não era emborrachada como agora. No corre-corre levando a bandeja pra lá e pra cá, acontecia mais da gente dar uma derrapada. Hoje isso é mais difícil, mas sempre existem aqueles caroços de azeitona traiçoeiros que os clientes jogam no chão e que são o terror para os garçons”, brinca.
Cego, surdo e mudo
Foram mais de 20 encabeçando a empolgada equipe de garçons do Bar do Coronel, tradicional boteco de São José, e Kleber Segreto Córdoba aprendeu outra máxima do garçom: a cumplicidade acima de tudo.
“Para não causar problemas (principalmente conjugais), o garçom tem que passar mais despercebido. Se ligam perguntando de algum cliente, não dá para passar informação; se ouvimos uma conversa na mesa do bar, não saímos comentando também. Nessas horas, o garçom ter que ser cego, surdo e mudo para não causar problemas”, comenta o profissional que hoje não serve mais mesas, mas encarrega-se do bom atendimento da equipe.
As cenas dignas de música de Reginaldo Rossi são corriqueiras no espaço. De acordo com Kleber, depois de algumas doses, os homens se derretem em culpa pelas lambanças amorosas.
“Choram de derrubar lágrimas. Nos últimos meses foram dois casos aqui. Em um deles, a mulher ‘oficial’ passou a mão no celular do cliente e descobriu umas conversas com a amante. O que sobra pra fazer é dar conselhos do tipo ‘valorize a mulher que você tem ‘, ou ‘ela vai voltar logo’, essas coisas”, diz.
Profissionalização
Muitas vezes encarada como um ‘bico’, a profissão de garçom pode ser lucrativa para quem se dispõe a especializar-se no assunto. Um profissional requisitado, trabalhando no estabelecimento adequado, pode receber até R$ 5.000 por mês.
A unidade de Campos de Jordão do Senac oferece um curso de 500 horas que garante a formação de profissionais que podem atuar tanto em bares quanto em restaurantes. O curso conta com aulas de apresentação pessoal, higienização, postura, vestimentas, além de noções sobre processo de fermentação de bebidas, harmonização, entre outros.
“É uma área que oferece essa possibilidade de crescimento. Existe uma boa demanda por profissionais formados. Atualmente falta muito treinamento nos restaurantes e quem se profissionaliza sai na frente”, conclui.
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