Design de móveis e objetos: o momento é de compartilhar
Para o crítico de design francês Vincent Grégoire, a era digital promete revolucionar nossos hábitos de consumo no futuro próximo. Segundo ele, o “eu”, definitivamente, vai sair de cena e em seu lugar o “nós” vai conduzir a troca de informações, bens, serviços e, consequentemente, o design de móveis e objetos “O aspecto interativo e a possibilidade de conectar móveis e objetos vão se tornar fatores prioritários para os designers”, sinaliza ele.


Criação de Coralie Ruiz and Anthony Stephinson expostos pelo Maison & Objets
Divulgação/Maison & Objets
Para o crítico de design francês Vincent Grégoire, a era digital promete revolucionar nossos hábitos de consumo no futuro próximo. Segundo ele, o “eu”, definitivamente, vai sair de cena e em seu lugar o “nós” vai conduzir a troca de informações, bens, serviços e, consequentemente, o design de móveis e objetos. “O aspecto interativo e a possibilidade de conectar móveis e objetos vão se tornar fatores prioritários para os designers”, sinaliza ele.
Não por acaso, a ideia de compartilhar, tomada como motor da criação contemporânea, surge como grande destaque da edição outonal da Maison & Objet, feira de design e decoração que aconteceu em Paris, de 5 a 9 de setembro, na qual Grégoire atuou como curador convidado.
“A cultura digital incentiva o hábito da troca, o desejo de estar ou de se sentir junto ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de criar significados. Tudo está se tornando informação e gerando móveis e objetos que, além de mais densos em conteúdo, vão procurar se conectar a outros para tornar a vida mais acolhedora, calorosa e lúdica.”
Um dos membros selecionados pela organização da Maison & Objet para compor o Observatoire – comitê encarregado de localizar e analisar influências que chegam de todo o mundo e que podem significar mudanças nos padrões de consumo -, o crítico foi também responsável pela montagem de uma das salas conceituais da entrada principal da mostra.
Espaços onde as conclusões do comitê são reunidas e “encenadas” por seus curadores em instalações especiais, montadas, prioritariamente, com os produtos em exposição. Um, entre os muitos diferenciais que, ano após ano, vêm garantindo o sucesso da feira parisiense, que, além de contextualizar a produção apresentada, oferece a cada semestre uma extensa programação de eventos paralelos. Não por acaso, somente nesta edição foram cerca de 3 mil os expositores – metade deles franceses – que compareceram aos pavilhões de Villepinte, no norte de Paris.
Outra iniciativa, a eleição dos criadores do ano, se propõe a homenagear os profissionais que mais se destacaram nos campos da decoração, do design e dos interiores, na França e no exterior. Nesta edição foram três os homenageados: o inglês Tom Dixon, eleito Criador 2014, que montou uma fábrica de velas no local para produção em tempo real; o francês Philippe Nigro, agraciado no setor Design à Vivre; e o estúdio Dimore, do britânico Britt Moran e do italiano Emiliano Salci, na categoria design de interiores.
Revelando por suas escolhas uma visão global do design, a edição de setembro da Maison faz da mistura de gêneros e da ampla conectividade duas de suas apostas.
Combinando acessórios decorativos, mobiliário, iluminação e produtos têxteis, a oferta é grande e, a julgar pela acolhida entre os compradores, promete ganhar as vitrines de todo o mundo na próxima estação. Aqui, a nossa seleção.
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