Ditinho Joana, o escultor que deixou a roça para ganhar o mundo

Benedito da Silva Santos, o Ditinho Joana, é ex-lavrador do alto vale do Rio Sapucaí Mirim na serra da Mantiqueira e abandonou a enxada e foice por ferramentas de esculpir em 1974, procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao carpir.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro2 min de leitura
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Ditinho Joana, o escultor que deixou a roça para exportar no mundo inteiro (Divulgação/Ditinho Joana)

Escultura de Ditinho Joana: o multirão consertando uma estrada

Divulgação/Ditinho Joana

Benedito da Silva Santos, o Ditinho Joana, é ex-lavrador do alto vale do Rio Sapucaí Mirim na Serra da Mantiqueira e abandonou a enxada e foice por outras ferramentas, em 1974, procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao carpir, descobriu que a arte da escultura.

Ditinho Joana vive no Quilombo, uma comunidade na cidade de São Bento do Sapucaí e suas esculturas em madeiras nobres são vendidas para o Brasil e exportadas para diversos países. O escultor se destaca pela sensibilidade de retratar o dia-a-dia do povo da roça.

“Uso esse talento para registrar uma parcela representativa do povo brasileiro, a comunidade rural. Percebi que poderia transformar pedaços de madeira utilizando apenas canivete, machadinha e formão improvisados por mim mesmo”, conta.

Ainda hoje, usando as mesmas ferramentas Ditinho executa suas esculturas em madeiras como o Jacarandá, Pereira e Taiuva que o próprio escultor adquire e seleciona junto aos fazendeiros da região. “Retiro a casca e utilizo apenas o cerne, que por sua rigidez impede a formação de trincas e carunchos que danificariam as esculturas”, explica.

Seus trabalhos foram levados para o exterior através de Gianni Gelleni, editor de artes da Brésia, na Itália. As figuras de sua terra, que surgem em seus trabalhos, interpretam momentos de pura simplicidade com o peso da tragédia, amor, dor e esperança. Ditinho Joana é casado e tem seis filhos, cinco deles herdaram o dom de trabalhar com esculturas de madeira.

Vendo o pai trabalhar, Alexandre Joana seguiu a carreira de escultor e a partir dos 15 anos começou a entalhar madeira. Hoje conta com 15 anos de experiência. Outro filho, Saulo Joana também seguiu a carreira do pai desde oito anos de idade entalha a madeira.

Cada escultura feita por Ditinho Joana possui uma história, que é contada por ele aos visitantes do seu ateliê, como a do mutirão que foi feito para consertar uma estrada rural.

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