Ditinho Joana, o escultor que deixou a roça para ganhar o mundo
Benedito da Silva Santos, o Ditinho Joana, é ex-lavrador do alto vale do Rio Sapucaí Mirim na serra da Mantiqueira e abandonou a enxada e foice por ferramentas de esculpir em 1974, procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao carpir.


Escultura de Ditinho Joana: o multirão consertando uma estrada
Divulgação/Ditinho Joana
Benedito da Silva Santos, o Ditinho Joana, é ex-lavrador do alto vale do Rio Sapucaí Mirim na Serra da Mantiqueira e abandonou a enxada e foice por outras ferramentas, em 1974, procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao carpir, descobriu que a arte da escultura.
Ditinho Joana vive no Quilombo, uma comunidade na cidade de São Bento do Sapucaí e suas esculturas em madeiras nobres são vendidas para o Brasil e exportadas para diversos países. O escultor se destaca pela sensibilidade de retratar o dia-a-dia do povo da roça.
“Uso esse talento para registrar uma parcela representativa do povo brasileiro, a comunidade rural. Percebi que poderia transformar pedaços de madeira utilizando apenas canivete, machadinha e formão improvisados por mim mesmo”, conta.
Ainda hoje, usando as mesmas ferramentas Ditinho executa suas esculturas em madeiras como o Jacarandá, Pereira e Taiuva que o próprio escultor adquire e seleciona junto aos fazendeiros da região. “Retiro a casca e utilizo apenas o cerne, que por sua rigidez impede a formação de trincas e carunchos que danificariam as esculturas”, explica.
Seus trabalhos foram levados para o exterior através de Gianni Gelleni, editor de artes da Brésia, na Itália. As figuras de sua terra, que surgem em seus trabalhos, interpretam momentos de pura simplicidade com o peso da tragédia, amor, dor e esperança. Ditinho Joana é casado e tem seis filhos, cinco deles herdaram o dom de trabalhar com esculturas de madeira.
Vendo o pai trabalhar, Alexandre Joana seguiu a carreira de escultor e a partir dos 15 anos começou a entalhar madeira. Hoje conta com 15 anos de experiência. Outro filho, Saulo Joana também seguiu a carreira do pai desde oito anos de idade entalha a madeira.
Cada escultura feita por Ditinho Joana possui uma história, que é contada por ele aos visitantes do seu ateliê, como a do mutirão que foi feito para consertar uma estrada rural.
Posts Relacionados

Fundação Cultural de São José disponibiliza guia online com programação de setembro

Mário Toledo lança segundo livro como coautor em São Paulo na semana de abertura da Bienal do Livro

Carmo Dalla Vecchia e Vanessa Gerbelli falam sobre a peça “Forever Young” no Meon Entrevista
