Ensaio fotográfico: o grafite como cartão postal de Jacareí
Aquele que chega a Jacareí e passa por um ou dois bairros fatalmente vai ver muros grafitados. Seja mais próximo do street art americano ou em pinturas realistas, deve haver algo na água de lá para formar artistas de estilos tão variados.












Aquele que chega a Jacareí e passa por um ou dois bairros vai dar de cara com os muros grafitados. Seja mais próximo do street art americano ou em pinturas realistas, deve haver algo que explique a cidade formar artistas de estilos tão diversos.
Jô, Owl, Art P., Clube 13, Lucas Fernandez, Matheus Mats, Buyu, End, Sabrina, Alan, Fake, Gean, Iaiá, Mirage, Fred, Bruno Brito, Mild Gus, Tainã Moreno, Rafael Ferreira, são alguns que não se contentaram com o branco nas paredes da cidade e têm trabalhos retratados neste ensaio do repórter fotográfico Flávio Pereira.
Na galeria de fotos estão alguns dos principais estilos do gênero artístico: free hand, 3D, wildstyle, bomb (siglas e tags estilizadas), piece (grafite mais demorado e trabalhado), de cenário e de personagem.
“Não sei se Jacareí tem mais grafiteiros que outras cidades da região, mas se destaca pelos estilos variados. Eles se desvincularam do grafite tradicional, têm uma visão mais ampla, são mais visionários”, afirma Matheus Mats, artista visual e grafiteiro.
No ensaio, Mats contribui com obras no half pipe do Espaço Liberdade e nos muros da avenida Davi Monteiro Lino, ambas na região central da cidade. A Davi Lino tornou-se uma espécie de cartão postal da cidade para os entusiastas do street art.
Neste trecho da avenida perimetral há mais de uma dezena de grafites em dois muros paralelos que medem mais de três quadras de extensão.
“A idéia é era virar um cartão postal como o Beco do Batman, na Vila Madalena, ou o túnel da avenida Paulista, os dois em São Paulo. Bom para os artistas e para a população também. Um espaço desses chama gente, chama comércio e serviço para lá”, diz Mats.
Collors
Matheus Mats tem 27 anos, pintou o primeiro muro da Davi Lino há mais de seis anos. Seus estilo foge do grafite tradicional e preza pela geometria, estudo de grande variedade de cores e menções a simbologias religiosas.
Na avenida, grafitou sempre com autorização do moradores e afirma ganhar “até escada e copo d’água”.
Mr. Fred, 29 anos, é grafiteiro veterano na cidade. Junto de Buyu e End comanda a Collor’s Brasil, estúdio que tem dois trabalhos na Davi Lino. Um dos que mais se destaca ali é o grafite realista de End, que expõe, entre outras figuras, o rosto nítido de uma criança chorando.
“O problema ali é pedir a autorização dos moradores. É complicado porque é costa de casa, beira de avenida. Tem grafite lá que não teve isso e foi feito em duas, três horas”, explica Fred, que gosta de trabalhar com “muitos estilos”, mas destaca o wildstyle, o piece e o 3D. Lá, os dois grafites da Collor’s tiveram autorização, o artista avisa, e os moradores não reclamaram do resultado.
Mas grafite em Jacareí não é só na Davi Lino. A Collors está finalizando um grafite no muro do Clube Elvira, do EducaMais Espaço São João. “Tem 140 metros de extensão. Tem todos estilos em um só muro”, conta Fred.
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